quinta-feira, 16 de abril de 2015

O Castigo

Hoje vi um vídeo – de fofurice extrema, aliás – no qual uma menina de uns dois anos comia o batom novo da mãe e ainda dava uma parte para o cachorro comer. Maravilhoso, né?

Papo vai, papo vem, a mãe diz à menina:

- Agora você terá que ficar de castigo.

E sem pensar meio segundo, Manuela comenta:

- Igual a mim! Também fico de castigo toda hora.

...

...

...

Oi?

Sabe quando o mundo para? Pois é. Por um instante, não vi mais nada na minha frente e na minha cabeça começou a passar um filme sobre a educação que dou à ela e, principalmente, minha forma de repreende-la.

De cara, tentei lembrar quando foi a última vez que a deixei de castigo. Pensei, pensei, pensei... e juro que não consegui lembrar. Três semanas, um mês, dois meses???

Manuela é uma criança calma, na medida do possível. E quando digo isso, as pessoas costumam visualizar uma menina que passa o dia sentada a contemplar a vida. Desenhando, vendo televisão, brincando quietinha num cantinho da casa...

Não! Definitivamente não é isso.

Manuela é uma menina tranquila, bastante obediente para quem está – teoricamente – vivenciando os terrible two e muito delicada. Mas não é criança de novela. Sobe nas coisas, faz arte, pinta o corpo todo, adora correr e pular, etc etc etc

Uma menina como outra qualquer, que, apesar de fácil de lidar, tem suas crises de independência e malcriação.

Na maioria das vezes, consigo contornar com ações positivas. Outras tantas vezes, é à base da boa e velha bronca mesmo. E em raríssimas exceções, baixou aqui a supernanny e a conduzi ao cantinho do pensamento.

Não estou contando isso para me explicar, justificar e muito menos para me condenar. Mas confesso que me assustei com seu comentário!

Como assim “também fico de castigo toda hora”? Em que planeta isso acontece?

E mais: toda essa meia dúzia de três ou quatro vezes em que isso aconteceu teve que efeito sobre ela? Aquele que eu desejava? Melhor? Pior?

Como marcou a cabecinha dela? Como repreensão? Disciplina? Ou medo mesmo?

Ou nada também? Sem dimensão de tempo e espaço, falou por falar?

Honestamente? Não faço a menor ideia. Mas, pelo menos, tudo isso me fez parar pra repensar minhas atitudes e reavaliar como ando conduzindo sua educação.


Tarefa difícil essa de educar, viu?

terça-feira, 14 de abril de 2015

Descompartilhando a Cama

Logo que Manuela nasceu, por pura comodidade, ela dormia no carrinho ao lado da minha cama. Amamentar não era fácil e era na madrugada que conseguíamos nos conectar de forma mais profunda.

Por isso, ela se mexia, eu trocava sua fralda e já a colocava no peito. Ela mamava, arrotava e voltava a dormir. Bem ali do meu ladinho, sem qualquer esforço. Não precisava levantar, acordar marido, não despertava a cria e ainda me rendiam alguns minutos a mais de descanso. Era o paraíso na terra.

Com o tempo, um motivo ou outro me fizeram adiar os planos de colocá-la em seu berço. Rua barulhenta, ligar apenas um ar-condicionado, cansaço... E, de repente, movida por pura inércia, me vi compartilhando a cama.

Mas marido reclamava dos inúmeros chutes e pontapés e da consequente perda de espaço na cama. 

Foi, então, que minha obstetra me sugeriu comprar um chiqueirinho. Ela continuaria perto de mim, mas nosso espaço estaria preservado.

Gênia!

A partir daí, não tinha regra. Muitas noites ela dormia no chiqueirinho e outras tantas, na minha cama. A única certeza era que o berço do seu quarto continuaria com sua incrível e indispensável função decorativa.

Eu era (e sou) completamente apaixonada pela ideia da cama compartilhada. Descobri nela – e na Criação com Apego – algo muito mais profundo e intenso que apenas dividir o mesmo espaço.

Era entrega, conexão, intimidade. Fortalecer vínculos. Era passar confiança. Era estar disponível. Era dar e receber amor de uma forma palpável.

E como ela dormia bem quando estava entre nós dois! Percebia, às vezes, seus olhinhos abrindo e, ao enxergar um de nós, suspirava de alívio e voltava a dormir. Tão lindo!

Todas as noites ela se remexia até conseguir se aninhar em mim e dormir tranquilamente por mais muitas horas. Tão tão tão bom!

E eu continuo acreditando e defendendo essa prática. Mas acredito também que eu devia dar a ela o direito de escolher. E se ela quisesse curtir seu próprio cantinho? E se ela quisesse dormir rodeada pelos seus brinquedos, naquele espaço que foi, tão cheio de amor, planejado especialmente pra ela?

Além disso, daqui a pouco, ela não caberia mais no chiqueirinho e só teria a nossa cama mesmo para dormir. Não queria, de uma hora para outra, forçar um desapego. Não não não!

Foi então que no sábado de manhã perguntei a ela se, à noite, gostaria de dormir em seu quarto. Toda animada, ela disse que sim! Mas confesso que não levei muita fé naquela empolgação toda. Manu é muito chicletinho ciumento e não ia deixar papai e mamãe sozinhos no quarto com toda essa facilidade! Mas quando chegamos em casa, já na hora de dormir, ela mesma disse para minha mãe ao telefone:

- Vovó, hoje vou dormir na minha cama! No meu quarto!

Ela estava tão orgulhosa, que, apesar da descrença, resolvi arriscar.

O berço dela é daqueles que tem uma cama embaixo. Tirei dali o colchão e coloquei direto no chão. Deitei com ela, nos abraçamos, e ela logo adormeceu.

Preparei a babá eletrônica e fui pro quarto com o coração na boca! Achei que fosse passar a noite em claro. Mas o excesso de sono me fez apagar linda e deliciosamente!

E a mocinha também! Acordou tranquila, sozinha, na manhã seguinte. Ela estava tão feliz de estar no quarto dela que eu percebi que dividir a mesma cama, hoje, era mais importante pra mim do que pra ela.

Percebi que a grande lição da cama compartilhada, ela aprendeu: que nós, papai e mamãe, estaremos sempre disponíveis pra ela. SEMPRE SEMPRE SEMPRE...

Quando ela quiser, no dia que quiser, e por qualquer motivo que for, ela será recebida em nosso quarto com carinho e alegria. Ela jamais será vista como empecilho para nós dois! Que absurdo, aliás!, seria isso.

E assim tem sido. Toda noite dou a ela a oportunidade escolher e aviso que nada precisa ser definitivo.

Por enquanto, seu quarto tem vencido!

E a gente segue por aqui, compartilhando muito mais que a cama: compartilhando o amor!


segunda-feira, 13 de abril de 2015

YES, WE (ALL) CAN!

Andei passeando aqui pelo blog, lendo as histórias antigas, as minhas declarações de amor à ela, as minhas infinitas aflições...

É tão engraçado – e útil! – olhar pra trás. Reviver memórias, perceber o quanto o tempo voou, o quanto Manu cresceu e o quanto amadurecemos enquanto família.

Parece que a cada passo â frente, vamos criando cascas. Escudos mesmo. Ficamos mais fortes e mais seguras. E, mais do que nunca, temos a certeza de que damos conta, sim-senhor-obrigada, dessa tal maternidade.

YES, WE CAN!

Todas nós! Basta adicionar paciência e dedicação ao tanto de amor que já transborda e... pimba! 

Ultrapassamos todas as barreiras.

Tinha medo da Manu não comer...agora come!

Tinha medo dos dentes ... nasceram sem dar trabalho.

Tinha medo de escolher a creche certa... Já está no Maternal I, na natação, no ballet...

Tinha medo do desfralde ... por aqui, há 5 meses, só entram calcinhas!

Tinha medo de desfazer a cama compartilhada... está dormindo no seu quarto e amando a ideia (amando muito mais que eu, inclusive!).

As coisas foram acontecendo, minha confiança se fortalecendo e aprendi a deixar fluir, sem pressa.

E quando dei por mim, aquele bebezinho que tanto chorava deu lugar a uma menina linda, que transborda delicadeza e esperteza. Uma menina que conversa comigo o dia inteiro. Que me explica suas vontades e vive me contando seus causos e peraltices. Uma mocinha tagarela e cheia de tiradas divertidas. Que repete muitas vezes ao dia que a mamãe é sua melhor amiga e que morre de saudades do papai, que insiste em ir, todo dia, ganhar esse tal de tutu.


Uma menina encantadora, mas que preserva aquele mesmo olhar forte do primeiro dia fora da barriga.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Desfraldada!



Xente, tem uma mocinha linda e desfraldada nesta casa! #todascomemora!!!

Uhuuulll!

Sem grandes estresses, sem grandes problemas e sem seguir todas aquelas regras com as quais nos preocupamos desde a gravidez. Foi rápido, simples e indolor!

Então, senta que lá vem a história...

Manuzita, há poucos meses, ensaiou umas idas ao troninho. Nada muito sério, mas que acendeu o sinal de alerta na mãe aqui. Como, dias depois, o amor pelo dito cujo acabou, abortei a ideia e preferi deixar para começar todo o processo no início do ano.

Porém, por mais que eu queira tabelar nossa vida no excel, crianças são imprevisíveis e, de uma hora para outra, tudo mudou.

Depois de uma festinha infantil, Manu apareceu com manchas pelo corpo, que ficavam mais fortes próximo à fralda. Acreditando se tratar de uma alergia, a pediatra pediu que a deixássemos o maior tempo possível de calcinha.

Na hora, meu coração partiu. Fiquei tensa e preocupada, sem saber se ela estava realmente pronta pra isso. Mas, sem opção, respirei fundo e fui. Num primeiro momento, não sabia ao certo onde isso ia dar. Se seria, ou não, um desfralde oficial. Deixei, mais uma vez, meu coração me guiar.

E assim foi: dia 21/11, conversei com ela e expliquei que, por conta do vermelhinho no corpo, ela ia tentar fazer xixi no penico. Que, caso escapulisse, eu não brigaria e que ela ficasse tranquila, que tudo ia dar certo.

Pouco depois, Manu estava bem irritada. Resmungava por tudo, só queria colo e, sem segurar, fez seu primeiro xixi no chão.

Já esperando por aquilo, beijei, abracei e tratei de limpar tudo: chão e criança!

Como ela estava nervosa, coloquei-a para dormir. No meio do soninho, veio o auge do estresse: minha filha acordou chorando muito, pedindo a fralda. Não queria fazer no penico de jeito nenhum. Chorou, se descabelou, deitou no chão e até soltou, à la Fernanda Montenegro, um "me salva, mamãe, por favor".

Não houve psicologia infantil que a convencesse sentar no troninho. Mas houve muito muito muito amor para ajudar minha princesa a passar por aquele momento difícil.

Então, perguntei se ela queria colocar a calcinha de volta. Ela disse que sim. Abraçada em mim, pediu para ir pra minha cama. Mesmo sabendo o que ia acontecer ali, coloquei.

Sentou no meu lençol limpinho e fez todo o - muito - xixi ali. Com um sorriso envergonhado, me pediu desculpas.

Beijei muito minha baixinha. Disse que não tinha que pedir desculpas de nada e que eu tinha certeza que, na hora certa, ela ia usar seu troninho. Lembrei-a de que estou sempre ao seu lado e que toda essa fase difícil ia passar.

Meu povo, eu fiquei com o coração despedaçado. Sabemos o quão delicado é o desfralde, imagina compulsório! Visualizem uma mãe arrasada: era eu!

Logo, eu estava determinada a fazê-la vencer. Coloquei o penico na sala e fomos até lá. Peguei um álbum de fotos e disse que ele só poderia ser visto com ela sentada no peniquinho. Ela ficou ressabiada, mas foi.

Pouquinho depois, tocava a musiquinha do xixi (sim! o penico dela toca uma musiquinha toda vez que é usado com sucesso).

Comemoramos, nos abraçamos, dançamos! Celebramos muito aquele momento que, convenhamos, só quem é mãe (e pai) entendem. Nunca, na vida, imaginei ficar tão feliz por conta de um simples xixi.

E foi impressionante como ela relaxou depois daquilo. Toda a irritação foi embora e ela ficou muito orgulhosa de ter conseguido.

Naquele dia, dali em diante, não houve qualquer vazamento.

Na hora de dormir, optamos por fralda de pano. Meu bem, vem cá, o que é a fralda de pano? Tem que ter mestrado em origami pra dobrar aquilo seguindo as instruções da caixa. Marido e eu quebramos a cabeça e, ainda assim, não encontramos o jeito certo. Orgulho das gerações antigas!

Já dormi pedindo PELAMORDEDEUS, rezando mil Ave-Marias, para que não molhasse tudo à noite. O problema não era o xixi. O problema não era limpar. Mas imagina ter de tirar e dobrar tudo de novo? Se acordada foi impossível, imagina com sono. Quantas vezes eu teria que fazer aquilo?

Mas oração de mãe não falha, povo! E Manu amanheceu sequíssima. A moçoila acordou e foi logo fazer seu xixi matinal com o pai. Igual gente grande!!!

E assim foi! Neste dia ainda houve uns escapes. Mas, todas as vezes que perguntávamos, ela aceitava ir. Só vazou quando, por algum motivo, ficamos mais tempo sem perguntar.

Nesta noite, corri o risco, e coloquei a calcinha. Marido achou que eu pirei, que ela ia fazer várias vezes a noite e que não daria certo. Mas eu resolvi assumir o risco. Não queria colocar a fralda descartável e vê-la ainda mais vermelha. Sem contar que detestei a fralda de pano (que me desculpem as ambientalistas!) e me causava pânico ter que passar a noite fazendo dobradura. Acreditei na minha filha, na minha paciência, e paguei pra ver.

Antes de dormir e durante a madrugada, levei-a ao penico.Pimba: mais um dia de calcinha limpa.

Depois disso, gente, dá pra contar em uma mão quantos escapes aconteceram. E, na segunda-feira seguinte, já foram todos os xixis E cocôs no lugar certo.

Vale dizer que ela segurou o cocô por dois dias. Não pressionei e, quando não deu mais pra segurar, ela aceitou fazer direitinho. Sentei no chão com ela, e segurei suas mãos. Conversa vai, conversa vem e pronto! Problema resolvido!

Na terça-feira, ela tinha consulta com uma alergista. Seria a primeira vez que ela sairia de casa sem fralda.

No consultório, descobrimos que não era alergia, gente!, era virose ! Mas estávamos no quinto dia de sucesso e não havia motivo pra retroceder.

Passamos o dia no shopping. Eu, ela e minha mãe. Encontrei uma tábua de vaso portátil e resolvi todos os nossos problemas com banheiros públicos.

Para mim, ali foi decretado o desfralde oficial! Já estava há mais de 48 horas sem deixar nada escapar e aceitou, com tranquilidade, fazer xixi na rua.

Na quarta-feira, ela voltou à escola com um kit para eventuais surpresas. De novo, não deu qualquer trabalho...

Sendo assim, contrariando algumas regras dos desfralde, eu tenho uma filha de calcinha! De dia AND de noite! De uma vez só!!!

Para ser bem sincera, eu acho que alguns fatores contribuíram para um desfralde rápido e tranquilo.

Em primeiro lugar: Manu! Ela foi a grande responsável pelo sucesso. Acredito que ela estava 100% pronta pra esse processo e me ajudou muito mais do que foi ajudada.

Depois, acredito que ter ficado muitos dias seguidos dentro de casa favoreceu. Ela começou na sexta de manhã e só pôs os pés na rua na terça-feira. Foi um intensivão comigo e, no final de semana, também com o pai. Acredito que tenha feito ela criar confiança mais rápido.

E, por último, a minha calma. Independente do que acontecesse, eu estava disposta a ajudá-la. Compreendi suas dificuldades e passei segurança e tranquilidade pra ela. 

Minha baixinha deu mais um passo nesta vida! Cresceu mais um pouco e, de novo, me fez transbordar de alegria.



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Quem sabe amanhã?

Terça-Feira.

6:40. Acordo. Preparo o uniforme da filha. Agora, a mamadeira. 

Tentativa 1 de acordá-la.

Tentativa 2.

Tentativa 3.

7:00. Resmungando, abre os olhos e toma seu leite.

Não quer levantar. Diz:

- Não quero ir pra rua! Não quero ver Papai Noel!

Entendo. Sinal de que o ano está voando. Explico que não verá o bom velhinho. 

7:10. Coloco a filha no banho. A hora passando. Já estamos atrasadas.

Visto seu uniforme. Penteio seu cabelo. Está pronta. E linda. Muito linda, é claro!

Ajudo marido a arrumar sua roupa. Manuela acha a caixa de massinha. Mexe. Eu digo não.

Correndo, tomo um copo de leite, visto minha roupa. Disfarço a cara de sono e parto pra rua.

7:40. No colo, levo Manu pra creche. Na esquina, coloco no chão. Resmunga pra entrar. Hoje, não quer a tia Tati. Quer a tia Sarah. Ela entra. Eu saio.

8:00. Em casa, tomo banho. Correndo. De saída, de novo.

Ônibus Lotado. Calor.

9:30. Centro da cidade. Saara. Aquele calor duzinferno. Ajudando marido a resolver um problema.

Ônibus vazio. Mais calor.

Hortifruti. Frutas, legumes, verduras e, de novo, mais calor.

11:00. Casa. Umbigo no fogão. Mini tortilhas de legumes. Arroz integral. Frango grelh... Ops! Não dá mais tempo.

11:50. Hora de buscar a Manu. Suada. Descabelada.

Filha faz cocô. Banho. Mamadeira. Soninho.

Lavo a louça. Termino a comida. Mais louça na pia.

14:00. Hora de acordar a filha. 

Lanche. Suco de laranja e dois biscoitos integrais com requeijão.

16:00. Arrumo pra natação. Filha nadando. Eu, resolvendo problemas na creche.

Casa. Manu sem fralda. Xixi no chão. Banho rápido.

18:15. Janta. Filha resmunga. Eu insisto. Raspa o prato.

Manu suja. Mesinha suja. Chão sujo. Cozinha imunda.

Filha chora. Quer colo. Pode ser o calor.

Banho. Pijama.

19:30. Deitamos. Conto uma história. Não quer dormir. Quer Peppa.

Ih! Esqueci de almoçar. De novo.

20:30. Marido chega. Lanchamos.

22:00. Deitamos. Manu mama. Dormimos.

02:00. Acordo. Perco o sono.

Lembro da cozinha. Da minha sobrancelha por fazer. Da unha quebrada. Dos livros que tenho pra ler. Dos projetos pra tocar.

Melhor tentar dormir. Quem sabe amanhã?







quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A Creche. A Comida. O Vilão.

Gosto muito da escolinha da Manu. Boas instalações, boas atividades e bons profissionais. Sua tia é maravilhosa: competente e muito carinhosa com os pequenos. Manuela a ama de paixão. E, claro!, eu também! Afinal, quem nunca ouviu aquele ditado: quem a boca do meu filho beija a minha adoça?

Se faz bem a ela, faz bem a mim! Simples assim!

É palpável o quanto ela aprendeu nestes 10 meses de creche. E eu sou imensamente grata por isso. À professora e às auxiliares. Elas são responsáveis diretas por todo esse crescimento.

Ontem, porém, enquanto dava uma fuçada no facebook da instituição, deparei-me com uma foto que, instantaneamente, ligou meu botão de alerta!

Um show de mágica de ninguém menos que Ronald McDonald! Em carne, osso, cabelo vermelho e muita caloria!

Não. Não. Não. E não. Definitivamente, não ornou!

Já lutamos tanto, diariamente, para manter uma alimentação saudável. Já lutamos contra tantos empecilhos (comerciais de tv, personagens nas embalagens, etc etc etc) que insistem em achar que porcaria é comida de criança e até a escola vai jogar contra? 

Pode isso, Arnaldo?

Não sou radical, eu confesso. Na verdade, apesar de lhe oferecer uma alimentação bastante saudável, sou mais permissiva do que deveria gostaria.

Mas me “dou ao trabalho” – ops! Desde quando cuidar de quem amamos é trabalho? - de aprender, de buscar receitas novas, que sejam nutritivas e saborosas. Cuido com tanto carinho das coisas que minha filha come e eu e meu marido nos esforçamos para mudar os nossos hábitos e lhe dar, também, bons exemplos. Estou sempre com o umbigo no fogão para, sem motivo algum, a escola ceder à pressão e, mesmo que nas entrelinhas, estimular o consumo de tanta porcaria?

Assim não dá!

Há poucos meses, na reunião trimestral, a nutricionista da escola bateu fervorosamente na necessidade de cuidarmos de perto do que as crianças ingerem. Obesidade infantil, crianças com colesterol elevado, pressão alta... Tudo isso foi discutido e explicado por ela, nos dando a entender que ali esse assunto era, também, tratado com a devida seriedade.

De alguma forma, levando o personagem às suas instalações, ela está legitimando o consumo daqueles sanduíches, dos refrigerantes e de todas as porcarias que a indústria tenta, a todo custo, nos enfiar goela abaixo. Afinal, todas as informações que permeiam o universo escolar são de extrema relevância na construção de uma criança.

Definitivamente, não curti. E a escola perdeu alguns pontos comigo.

Será que estou tão errada assim? É muita tempestade num copo d’água?

Até quando vamos tratar a alimentação infantil com tanta irresponsabilidade?








sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Festa da Democracia? Ops! Que Festa?

Domingo é dia de eleição e eu dou graças a Deus por minha filha ter apenas dois anos e ainda não compreender todo este circo nonsense.

Há muitos anos, eu era uma pessoa que curtia política. Que acreditava no poder do voto e, principalmente, no poder de transformação do homem. Acreditava que a massa unida era capaz de coisas inimagináveis e tinha certeza de que, um dia, ainda veria um mundo melhor.

Mas isso, infelizmente, ficou lá atrás, junto com a Patricia adolescente e menor de idade. Hoje, devo assumir, tenho uma grande dificuldade em lidar com tudo isso.

Ainda acredito no homem. Não em todos... de repente, em alguns. Ainda acredito no amor como arma de transformação. Acredito na boa vontade. Na solidariedade. No respeito e no bom senso. 

Mas, não. Eu não acredito na política. Naqueles homens e mulheres capazes de tudo para conseguir um voto. Naquelas pessoas que mais parecem lobos em pele de cordeiros. Que sorriem falso, abraçam o trabalhador e a dona de casa, prometendo-lhes o imprometível.

Nojo e medo definem.

Como cidadã, me informo e tento - quase em vão - escolher com sabedoria aqueles que me representarão no poder. No entanto, com os dois pés atrás, me causa um imenso desconforto ter de apertar o tal do CONFIRMA e optar entre o sujo e o mal lavado. É de doer o coração - e o estômago!

Toda essa encenação política vai além da minha compreensão. Toda essa militância carregada de ódio simplesmente não entra na minha cabeça. É ou não é uma democracia? Temos, ou não, o direito de escolher em quem votaremos?

Pra que tudo isso? Pra que tanta ofensa? 

Meu facebook, por exemplo, virou um cenário de guerra. Ainda bem que minha filha não sabe ler! Imagina ter de explicá-la tanta barbaridade? Tanta discórdia em nome de - acreditem! - um bem comum? Perde-se o respeito por motivos tão simples. Esquerda Caviar, Direita Coxinha, Comunistas, Reacionários, Ditadores, Fascistas, Tiranos, Burros, Idiotas, Imbecis... rótulos e xingamentos que parecem não ter fim.

Como explicá-la a imundice na qual a cidade se transforma com o aval daqueles que têm o dever de mantê-la limpa? Como explicá-la que o Choque de Ordem exige a retirada de todos os outdoors das ruas por conta da poluição visual e permite que o rosto de candidatos estejam estampados em todos os muros da cidade, quiçá do país?

Como explicá-la a distribuição de santinhos - que serão jogados NO CHÃO - mesmo sendo proibidos no dia da eleição?

Como explicar bares lotados e tanta gente bêbada? Motoristas cometendo barbaridades no trânsito, dirigindo com ódio?

Como explicar que todas aquelas promessas serão transformadas em fortunas desviadas? Em obras inacabadas? Em escândalos de corrupção? Em políticos ricos e população pobre? Tantas e tantas e tantas perguntas e nenhuma resposta.

Eu juro que não entendo o por quê de tudo isso. Difícil de digerir.

A minha parte mais ativa, acredito, eu faço no dia a dia. Agindo com respeito ao próximo e ao meu país. Tentando ser uma cidadã digna e, principalmente, ensinando minha filha a ser diferente de tudo isso que se vê por aí.

Torço muito para que as gerações futuras sejam diferentes. Que não percam a esperança e o sonho de mudar. Que elas realmente priorizem o amor e o bem, e que a dificuldade de escolher entre dois ou mais candidatos seja pela competência e honestidade de cada um, e não o contrário.

Torço pra que nossos filhos, quando forem às urnas, possam, de fato, festejar a democracia! Porque eu, Pátria Amada, estou quase jogando o chapéu...

Imagem retirada do site
http://comunidadetribunalivre.blogspot.com.br/2014/08/poluicao-visual-eleicao-2014.html