terça-feira, 3 de novembro de 2015

Eis o Motivo do Sumiço!

Abandonar o blog e deixa-lo assim – entregue às moscas – nunca foi meu objetivo. Mas, sabe como é: a filha cresce, a vida anda e as prioridades mudam.

E por aqui, a vida andou de uma forma bastante inesperada.

Desde que Manu nasceu, nunca quis voltar a trabalhar. Pensar em estar, no mínimo, 9 horas por dia longe da cria me causava desespero. Queria estar perto. Dar o “puxão de orelha” quando fizesse besteira, dar o afago quando se machucasse e dar as gargalhadas nas novas descobertas.

Graças a Deus – e à família -, tenho a oportunidade de educar minha filha da forma que escolhi.

Mas não há bônus sem ônus, certo? E escolher estar em casa é abdicar de um tantão de outras coisas. 

A renda diminui e a vida, definitivamente, passa a girar em torno de qualquer outro umbigo que não seja o seu. Tudo, menos você, é prioridade. A filha, o marido, a comida, a casa... E a sua vida própria é deixada de lado.

Confesso que até que, no geral, lidei bem com tudo isso e paguei feliz o preço da minha escolha. 
Minha rotina com a Manu sempre foi cheia de atividades e a gente cresceu muito juntas. Muito mesmo.

No entanto, não querer a vida louca do trabalho “formal” não anulava a vontade de trabalhar. Por isso, depois de muita, muita, muita, muita conversa; depois de muito, muito, muito, muito pensar; marido e eu resolvemos arriscar e empreender.

Juntamos o que ele sabia fazer, gostava de fazer, sonhava fazer e fazia melhor com a minha disponibilidade, minhas habilidades e, sobretudo, meus sonhos. Deixamos o medo para trás e andamos para frente, no melhor estilo “é agora ou nunca!”.

Disso tudo, nasceu Bolota Mini Roupas. Nossa marca voltada para os meninos de até 8 anos.

YEP!

Você leu bem: Meninos!

Claro que meninas também podem usar. Manu, inclusive, tem sua t-shirt. Mas o foco, pelo menos por enquanto, é a molecada mesmo.

E, desde então, a vida é uma loucura só. Um malabarismo entre cuidar da filha, da casa, de mim e da marca. E o blog foi assim, ficando de lado ... Mas há tempos ando querendo falar um pouco mais sobre home-office!

Opa!

Esse, então, será o tema do próximo post!


Até!

Enquanto isso, passa lá no facebook e no site pra conhecer um pouco mais!


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Pra quem pediu: Mais um pouquinho sobre a escolha da escola!

E não é que meu cantinho ainda existe? E rende frutos! Delícia isso.

Há tempos venho buscando motivos para escrever e, de umas semanas para cá, algumas mães passaram por aqui e me fizeram algumas perguntas, principalmente sobre o assunto creche/escola.

Pois bem!

Como os questionamentos foram variados, resolvi responder a todas com um post novo e, quem sabe?, tentar ressuscitar o Confissões.

Simbora!

Quando visitei todas as escolas aqui na redondeza, a minha preferida foi a Meimei. Ela tinha cara de escola, cheiro de escola e clima de escola. Era tudo que eu queria. Ela, inclusive, lembrava a escola onde eu estudei... aí não teve jeito... Foi amor à primeira vista.

No entanto, a distância e a filosofia de ensino pesaram contra na hora de decidir.

Explico: não tenho qualquer conhecimento sobre a linha Montessoriana. Ela me encanta, me instiga e até me motiva ainda nos dias de hoje.No entanto, fiquei com medo que ela, mais na frente, trouxesse problemas à minha filha. Pode parecer loucura, mas eu senti um desconforto no coração e não fiquei segura.

Outra opção que muito me atraiu foi a Oga Mita. Mas somente no papel. Ela é referência quando o assunto é Construtivismo. Porém, além de ser um pouco distante e de ter um preço bem salgado, as funcionárias não fizeram a menor questão em me atender. Era preciso agendar e, por isso, nem um mísero bate-papo rolou. Aí não dá, né?

No final, confesso que a simplicidade determinou a escolha. Não a simplicidade da escola em si. Mas do nosso dia a dia. Pertinho de casa, bem estruturada e acolhedora, a Tatibitati nos ofereceu exatamente aquilo que precisávamos naquele momento.

Manu brinca, aprende e faz muitos amigos. A escola é super acessível e suas professoras também. Não há qualquer burocracia para conversarmos tête-à-tête com as tias, pedagogas ou quem quer que seja. Muitas vezes, é na hora da saída que tiro as minhas dúvidas.

Claro que perfeição não existe e, muitas vezes, questões administrativas me deixam um tanto incomodada. Mas o carinho com que tratam minha filha - e todas as outras crianças - desde a recepção até depois da saída é recompensador.

Mais que isso: ver os olhinhos da minha baixinha brilharem me fazem ter a certeza de que fiz a escolha certa!

***

Às que pediram, prometo me esforçar e voltar pra contar como anda tudo! E já adianto que está tudo muito diferente!

Aguenta aí!!!!


quinta-feira, 7 de maio de 2015

À Minha Mãe, UM FELIZ DIA!

Eu sempre dei valor à minha mãe. Nunca fui uma criança ou adolescente que a preteria e priorizava as amigas, sabe? Sempre, sempre, sempre tive um imenso prazer de tê-la em minha companhia e de dividir as coisas com ela.

Nunca me envergonhei de tê-la na porta da escola me esperando. Nem mesmo no auge da adolescência. Se podia, carregava ela comigo para as festas e amava vê-la rodopiando, sambando e desfilando todo seu sorriso e requebrado pelo salão.

Orgulho mesmo. Admiração. Espelho. Base. Ponto de Partida. Ponto de Chegada. Amor que explode.

Esses sempre foram os sentimentos que predominaram (e predominam) em mim quando o assunto é ela: a minha Generosa Barbosa! Nome forte e com uma rima tão melódica, que só poderia caber em alguém que já acorda cantando e dançando.

Claro que brigamos. Evidente isso! Minha mãe não faz o tipo delicada e fofa, que conta até dez e aplica a disciplina positiva. De jeito nenhum! Dona Generosa era aquela que, na hora do pegapacapá, dava uns belos berros politicamente incorretos, capazes de botar tudo no lugar graças aos altos decibéis de sua voz.

Muitas vezes sobravam palavrões. Mais vezes ainda, sobravam (e, ossshhh!, como sobram ainda) doses cavalares de verdades doídas na veia.

Sabe aquelas coisas horríveis sobre você mesma, que você guarda lá nos fundilhos dos seus sentimentos e que não ousa trazer à tona para não doer ainda mais? Pois bem! Ela é daquele tipo de mãe que os lê com a clarividência e sensatez de uma paranormal e que não faz questão alguma de poupar a dor. Ela fala mesmo. Catuca fundo, como quem tem o prazer de mexer e remexer uma unha encravada. Como quem arranca o band-aid de uma única vez.

Porque pra ela é assim: é colocando pra fora, de uma única vez, que se alivia a dor. Sem rodeios. Sem mimimis.

Em compensação, é a primeira a nos acolher. É aquela que está sempre do nosso lado.

Nosso lado? Não!

Ela está sempre dentro de nós. De mim, da minha irmã, das netas, da sua família. Ela veste a nossa camisa. Mesmo que seja de força! Mas ela veste. Apertada, larga, confortável. Ela nos acolhe de tal forma que consegue sentir o que sentimos.

- Mãe, tenho medo! Não consigo!

- Medo? Esqueceu que você tem mãe? Vamos lá dar a cara pra bater. Se der errado, a gente tenta de novo!

- Mãe, errei!

- Errou? Errou feio! Mas agora que a besteira (coloque aqui um palavrão!) está feita, qual a providência pra resolvermos?

Sempre no plural. Nunca no singular. Sempre caminhando junto e pra frente. Buscando resolver os problemas e caminhar. Ela não nos dá tempo pra remorsos.

Mas, apesar de tudo isso. Desse amor tão grande desde sempre, posso dizer que só hoje consigo compreende-la melhor. Consigo entender suas escolhas, suas renúncias e sua força. Consigo enxerga-la com mais nitidez e me cobro, ainda mais, pra ser como ela.

Eu preciso ser pra minha filha o que ela é pra mim: segurança, companheirismo, alegria, entrega. Minha filha merece essa mãe. E minha mãe merece essa filha.

Essas filhas. Porque somos dois os frutos dessa mulher tão guerreira.

À minha mãe, com todo meu amor.

Que todos os dias sejam felizes como você!


A todas as mães, minha admiração infinita.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

O Castigo

Hoje vi um vídeo – de fofurice extrema, aliás – no qual uma menina de uns dois anos comia o batom novo da mãe e ainda dava uma parte para o cachorro comer. Maravilhoso, né?

Papo vai, papo vem, a mãe diz à menina:

- Agora você terá que ficar de castigo.

E sem pensar meio segundo, Manuela comenta:

- Igual a mim! Também fico de castigo toda hora.

...

...

...

Oi?

Sabe quando o mundo para? Pois é. Por um instante, não vi mais nada na minha frente e na minha cabeça começou a passar um filme sobre a educação que dou à ela e, principalmente, minha forma de repreende-la.

De cara, tentei lembrar quando foi a última vez que a deixei de castigo. Pensei, pensei, pensei... e juro que não consegui lembrar. Três semanas, um mês, dois meses???

Manuela é uma criança calma, na medida do possível. E quando digo isso, as pessoas costumam visualizar uma menina que passa o dia sentada a contemplar a vida. Desenhando, vendo televisão, brincando quietinha num cantinho da casa...

Não! Definitivamente não é isso.

Manuela é uma menina tranquila, bastante obediente para quem está – teoricamente – vivenciando os terrible two e muito delicada. Mas não é criança de novela. Sobe nas coisas, faz arte, pinta o corpo todo, adora correr e pular, etc etc etc

Uma menina como outra qualquer, que, apesar de fácil de lidar, tem suas crises de independência e malcriação.

Na maioria das vezes, consigo contornar com ações positivas. Outras tantas vezes, é à base da boa e velha bronca mesmo. E em raríssimas exceções, baixou aqui a supernanny e a conduzi ao cantinho do pensamento.

Não estou contando isso para me explicar, justificar e muito menos para me condenar. Mas confesso que me assustei com seu comentário!

Como assim “também fico de castigo toda hora”? Em que planeta isso acontece?

E mais: toda essa meia dúzia de três ou quatro vezes em que isso aconteceu teve que efeito sobre ela? Aquele que eu desejava? Melhor? Pior?

Como marcou a cabecinha dela? Como repreensão? Disciplina? Ou medo mesmo?

Ou nada também? Sem dimensão de tempo e espaço, falou por falar?

Honestamente? Não faço a menor ideia. Mas, pelo menos, tudo isso me fez parar pra repensar minhas atitudes e reavaliar como ando conduzindo sua educação.


Tarefa difícil essa de educar, viu?

terça-feira, 14 de abril de 2015

Descompartilhando a Cama

Logo que Manuela nasceu, por pura comodidade, ela dormia no carrinho ao lado da minha cama. Amamentar não era fácil e era na madrugada que conseguíamos nos conectar de forma mais profunda.

Por isso, ela se mexia, eu trocava sua fralda e já a colocava no peito. Ela mamava, arrotava e voltava a dormir. Bem ali do meu ladinho, sem qualquer esforço. Não precisava levantar, acordar marido, não despertava a cria e ainda me rendiam alguns minutos a mais de descanso. Era o paraíso na terra.

Com o tempo, um motivo ou outro me fizeram adiar os planos de colocá-la em seu berço. Rua barulhenta, ligar apenas um ar-condicionado, cansaço... E, de repente, movida por pura inércia, me vi compartilhando a cama.

Mas marido reclamava dos inúmeros chutes e pontapés e da consequente perda de espaço na cama. 

Foi, então, que minha obstetra me sugeriu comprar um chiqueirinho. Ela continuaria perto de mim, mas nosso espaço estaria preservado.

Gênia!

A partir daí, não tinha regra. Muitas noites ela dormia no chiqueirinho e outras tantas, na minha cama. A única certeza era que o berço do seu quarto continuaria com sua incrível e indispensável função decorativa.

Eu era (e sou) completamente apaixonada pela ideia da cama compartilhada. Descobri nela – e na Criação com Apego – algo muito mais profundo e intenso que apenas dividir o mesmo espaço.

Era entrega, conexão, intimidade. Fortalecer vínculos. Era passar confiança. Era estar disponível. Era dar e receber amor de uma forma palpável.

E como ela dormia bem quando estava entre nós dois! Percebia, às vezes, seus olhinhos abrindo e, ao enxergar um de nós, suspirava de alívio e voltava a dormir. Tão lindo!

Todas as noites ela se remexia até conseguir se aninhar em mim e dormir tranquilamente por mais muitas horas. Tão tão tão bom!

E eu continuo acreditando e defendendo essa prática. Mas acredito também que eu devia dar a ela o direito de escolher. E se ela quisesse curtir seu próprio cantinho? E se ela quisesse dormir rodeada pelos seus brinquedos, naquele espaço que foi, tão cheio de amor, planejado especialmente pra ela?

Além disso, daqui a pouco, ela não caberia mais no chiqueirinho e só teria a nossa cama mesmo para dormir. Não queria, de uma hora para outra, forçar um desapego. Não não não!

Foi então que no sábado de manhã perguntei a ela se, à noite, gostaria de dormir em seu quarto. Toda animada, ela disse que sim! Mas confesso que não levei muita fé naquela empolgação toda. Manu é muito chicletinho ciumento e não ia deixar papai e mamãe sozinhos no quarto com toda essa facilidade! Mas quando chegamos em casa, já na hora de dormir, ela mesma disse para minha mãe ao telefone:

- Vovó, hoje vou dormir na minha cama! No meu quarto!

Ela estava tão orgulhosa, que, apesar da descrença, resolvi arriscar.

O berço dela é daqueles que tem uma cama embaixo. Tirei dali o colchão e coloquei direto no chão. Deitei com ela, nos abraçamos, e ela logo adormeceu.

Preparei a babá eletrônica e fui pro quarto com o coração na boca! Achei que fosse passar a noite em claro. Mas o excesso de sono me fez apagar linda e deliciosamente!

E a mocinha também! Acordou tranquila, sozinha, na manhã seguinte. Ela estava tão feliz de estar no quarto dela que eu percebi que dividir a mesma cama, hoje, era mais importante pra mim do que pra ela.

Percebi que a grande lição da cama compartilhada, ela aprendeu: que nós, papai e mamãe, estaremos sempre disponíveis pra ela. SEMPRE SEMPRE SEMPRE...

Quando ela quiser, no dia que quiser, e por qualquer motivo que for, ela será recebida em nosso quarto com carinho e alegria. Ela jamais será vista como empecilho para nós dois! Que absurdo, aliás!, seria isso.

E assim tem sido. Toda noite dou a ela a oportunidade escolher e aviso que nada precisa ser definitivo.

Por enquanto, seu quarto tem vencido!

E a gente segue por aqui, compartilhando muito mais que a cama: compartilhando o amor!


segunda-feira, 13 de abril de 2015

YES, WE (ALL) CAN!

Andei passeando aqui pelo blog, lendo as histórias antigas, as minhas declarações de amor à ela, as minhas infinitas aflições...

É tão engraçado – e útil! – olhar pra trás. Reviver memórias, perceber o quanto o tempo voou, o quanto Manu cresceu e o quanto amadurecemos enquanto família.

Parece que a cada passo â frente, vamos criando cascas. Escudos mesmo. Ficamos mais fortes e mais seguras. E, mais do que nunca, temos a certeza de que damos conta, sim-senhor-obrigada, dessa tal maternidade.

YES, WE CAN!

Todas nós! Basta adicionar paciência e dedicação ao tanto de amor que já transborda e... pimba! 

Ultrapassamos todas as barreiras.

Tinha medo da Manu não comer...agora come!

Tinha medo dos dentes ... nasceram sem dar trabalho.

Tinha medo de escolher a creche certa... Já está no Maternal I, na natação, no ballet...

Tinha medo do desfralde ... por aqui, há 5 meses, só entram calcinhas!

Tinha medo de desfazer a cama compartilhada... está dormindo no seu quarto e amando a ideia (amando muito mais que eu, inclusive!).

As coisas foram acontecendo, minha confiança se fortalecendo e aprendi a deixar fluir, sem pressa.

E quando dei por mim, aquele bebezinho que tanto chorava deu lugar a uma menina linda, que transborda delicadeza e esperteza. Uma menina que conversa comigo o dia inteiro. Que me explica suas vontades e vive me contando seus causos e peraltices. Uma mocinha tagarela e cheia de tiradas divertidas. Que repete muitas vezes ao dia que a mamãe é sua melhor amiga e que morre de saudades do papai, que insiste em ir, todo dia, ganhar esse tal de tutu.


Uma menina encantadora, mas que preserva aquele mesmo olhar forte do primeiro dia fora da barriga.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Desfraldada!



Xente, tem uma mocinha linda e desfraldada nesta casa! #todascomemora!!!

Uhuuulll!

Sem grandes estresses, sem grandes problemas e sem seguir todas aquelas regras com as quais nos preocupamos desde a gravidez. Foi rápido, simples e indolor!

Então, senta que lá vem a história...

Manuzita, há poucos meses, ensaiou umas idas ao troninho. Nada muito sério, mas que acendeu o sinal de alerta na mãe aqui. Como, dias depois, o amor pelo dito cujo acabou, abortei a ideia e preferi deixar para começar todo o processo no início do ano.

Porém, por mais que eu queira tabelar nossa vida no excel, crianças são imprevisíveis e, de uma hora para outra, tudo mudou.

Depois de uma festinha infantil, Manu apareceu com manchas pelo corpo, que ficavam mais fortes próximo à fralda. Acreditando se tratar de uma alergia, a pediatra pediu que a deixássemos o maior tempo possível de calcinha.

Na hora, meu coração partiu. Fiquei tensa e preocupada, sem saber se ela estava realmente pronta pra isso. Mas, sem opção, respirei fundo e fui. Num primeiro momento, não sabia ao certo onde isso ia dar. Se seria, ou não, um desfralde oficial. Deixei, mais uma vez, meu coração me guiar.

E assim foi: dia 21/11, conversei com ela e expliquei que, por conta do vermelhinho no corpo, ela ia tentar fazer xixi no penico. Que, caso escapulisse, eu não brigaria e que ela ficasse tranquila, que tudo ia dar certo.

Pouco depois, Manu estava bem irritada. Resmungava por tudo, só queria colo e, sem segurar, fez seu primeiro xixi no chão.

Já esperando por aquilo, beijei, abracei e tratei de limpar tudo: chão e criança!

Como ela estava nervosa, coloquei-a para dormir. No meio do soninho, veio o auge do estresse: minha filha acordou chorando muito, pedindo a fralda. Não queria fazer no penico de jeito nenhum. Chorou, se descabelou, deitou no chão e até soltou, à la Fernanda Montenegro, um "me salva, mamãe, por favor".

Não houve psicologia infantil que a convencesse sentar no troninho. Mas houve muito muito muito amor para ajudar minha princesa a passar por aquele momento difícil.

Então, perguntei se ela queria colocar a calcinha de volta. Ela disse que sim. Abraçada em mim, pediu para ir pra minha cama. Mesmo sabendo o que ia acontecer ali, coloquei.

Sentou no meu lençol limpinho e fez todo o - muito - xixi ali. Com um sorriso envergonhado, me pediu desculpas.

Beijei muito minha baixinha. Disse que não tinha que pedir desculpas de nada e que eu tinha certeza que, na hora certa, ela ia usar seu troninho. Lembrei-a de que estou sempre ao seu lado e que toda essa fase difícil ia passar.

Meu povo, eu fiquei com o coração despedaçado. Sabemos o quão delicado é o desfralde, imagina compulsório! Visualizem uma mãe arrasada: era eu!

Logo, eu estava determinada a fazê-la vencer. Coloquei o penico na sala e fomos até lá. Peguei um álbum de fotos e disse que ele só poderia ser visto com ela sentada no peniquinho. Ela ficou ressabiada, mas foi.

Pouquinho depois, tocava a musiquinha do xixi (sim! o penico dela toca uma musiquinha toda vez que é usado com sucesso).

Comemoramos, nos abraçamos, dançamos! Celebramos muito aquele momento que, convenhamos, só quem é mãe (e pai) entendem. Nunca, na vida, imaginei ficar tão feliz por conta de um simples xixi.

E foi impressionante como ela relaxou depois daquilo. Toda a irritação foi embora e ela ficou muito orgulhosa de ter conseguido.

Naquele dia, dali em diante, não houve qualquer vazamento.

Na hora de dormir, optamos por fralda de pano. Meu bem, vem cá, o que é a fralda de pano? Tem que ter mestrado em origami pra dobrar aquilo seguindo as instruções da caixa. Marido e eu quebramos a cabeça e, ainda assim, não encontramos o jeito certo. Orgulho das gerações antigas!

Já dormi pedindo PELAMORDEDEUS, rezando mil Ave-Marias, para que não molhasse tudo à noite. O problema não era o xixi. O problema não era limpar. Mas imagina ter de tirar e dobrar tudo de novo? Se acordada foi impossível, imagina com sono. Quantas vezes eu teria que fazer aquilo?

Mas oração de mãe não falha, povo! E Manu amanheceu sequíssima. A moçoila acordou e foi logo fazer seu xixi matinal com o pai. Igual gente grande!!!

E assim foi! Neste dia ainda houve uns escapes. Mas, todas as vezes que perguntávamos, ela aceitava ir. Só vazou quando, por algum motivo, ficamos mais tempo sem perguntar.

Nesta noite, corri o risco, e coloquei a calcinha. Marido achou que eu pirei, que ela ia fazer várias vezes a noite e que não daria certo. Mas eu resolvi assumir o risco. Não queria colocar a fralda descartável e vê-la ainda mais vermelha. Sem contar que detestei a fralda de pano (que me desculpem as ambientalistas!) e me causava pânico ter que passar a noite fazendo dobradura. Acreditei na minha filha, na minha paciência, e paguei pra ver.

Antes de dormir e durante a madrugada, levei-a ao penico.Pimba: mais um dia de calcinha limpa.

Depois disso, gente, dá pra contar em uma mão quantos escapes aconteceram. E, na segunda-feira seguinte, já foram todos os xixis E cocôs no lugar certo.

Vale dizer que ela segurou o cocô por dois dias. Não pressionei e, quando não deu mais pra segurar, ela aceitou fazer direitinho. Sentei no chão com ela, e segurei suas mãos. Conversa vai, conversa vem e pronto! Problema resolvido!

Na terça-feira, ela tinha consulta com uma alergista. Seria a primeira vez que ela sairia de casa sem fralda.

No consultório, descobrimos que não era alergia, gente!, era virose ! Mas estávamos no quinto dia de sucesso e não havia motivo pra retroceder.

Passamos o dia no shopping. Eu, ela e minha mãe. Encontrei uma tábua de vaso portátil e resolvi todos os nossos problemas com banheiros públicos.

Para mim, ali foi decretado o desfralde oficial! Já estava há mais de 48 horas sem deixar nada escapar e aceitou, com tranquilidade, fazer xixi na rua.

Na quarta-feira, ela voltou à escola com um kit para eventuais surpresas. De novo, não deu qualquer trabalho...

Sendo assim, contrariando algumas regras dos desfralde, eu tenho uma filha de calcinha! De dia AND de noite! De uma vez só!!!

Para ser bem sincera, eu acho que alguns fatores contribuíram para um desfralde rápido e tranquilo.

Em primeiro lugar: Manu! Ela foi a grande responsável pelo sucesso. Acredito que ela estava 100% pronta pra esse processo e me ajudou muito mais do que foi ajudada.

Depois, acredito que ter ficado muitos dias seguidos dentro de casa favoreceu. Ela começou na sexta de manhã e só pôs os pés na rua na terça-feira. Foi um intensivão comigo e, no final de semana, também com o pai. Acredito que tenha feito ela criar confiança mais rápido.

E, por último, a minha calma. Independente do que acontecesse, eu estava disposta a ajudá-la. Compreendi suas dificuldades e passei segurança e tranquilidade pra ela. 

Minha baixinha deu mais um passo nesta vida! Cresceu mais um pouco e, de novo, me fez transbordar de alegria.