quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Home-Enlouquecido-Office

Eu estou há tempos tentando escrever sobre o home-office e não consigo.
Não consigo mesmo.

Por falta de tempo muitas vezes, por falta de ideias tantas outras ... mas, principalmente, porque não sei como descrever meu dia a dia enlouquecido.

Por isso, já peço desculpas pelo texto confuso que terão pela frente. Nada mais é que o retrato dos meus dias! =)

Ao contrário de muitos, por aqui não há rotina. Não tem essa de, mesmo em casa, colocar uma roupa bonita e trabalhar de 9 às 18. Não não. Longe disso.

Meu dia a dia consiste em me dividir entre os afazeres de casa, os cuidados com minha baixinha e as obrigações do trabalho.

Enquanto Manu está na escola, na parte da manhã, corro o máximo que posso. Ou para fazer almoço ou para adiantar os trabalhos do Bolota. Ganha aquilo que for mais urgente naquele dia.

Depois de dar almoço, fico me equilibrando entre dar atenção à filha e trabalhar. Manu é muito grudada e não aguenta brincar muito tempo sozinha. Por isso, costumo deixa-la entretida com as coisas de que mais gosta: massinha, tinta ou água. Essas atividades me rendem minutinhos a mais de concentração e longas horas de arrumação depois.


Mas, ainda assim, há infinitas pausas para brincar junto, levar ao banheiro, dar o lanche e atender todas as outras demandas de uma criança de três anos.

É um olho no peixe e outro no gato, sabe?

Porém, como ela não dorme à tarde, à noite ela embarca bem cedinho. Muitas vezes, às 18hs ela já está dormindo. E é aí que corro atrás do prejuízo.

E quando fazemos feiras no final de semana, então? Além de ser uma semana mais corrida, o sábado e o domingo são de tirar o fôlego. Manu vai conosco na maior parte dos eventos e, por mais que – graças a Deus! – ela seja bastante calma, não tem como negar que é uma tarefa a mais. Nos dividir entre vender e tomar conta da filha.

Normalmente, encontramos atividades para entretê-la. Uma das feiras, por exemplo, acontece num clube com teatro e marido sempre tira uma horinha para leva-la à peça. Ela super se diverte.

Mas, honestamente, me parece que trabalhar em casa é trabalhar sempre. É, inclusive, trabalhar mais, muitas vezes. E ter ainda menos tempo para as atividades pessoais – fazer a unha é ostentação!

Mas é, também, estar do lado da minha filha o tempo inteiro e isso é tudo que sempre quis. Acompanha-la em suas atividades, abraça-la a qualquer momento e atender a todas as suas necessidades é tão gratificante, tão incrível!



Por mais confuso que seja, nós estamos todos apaixonados por essa nova falta de rotina. Nós amamos o que fazemos e temos o maior prazer em estar nas feiras. Trabalhar em família, fazendo o que gosta é muito mais incrível do que podia imaginar!

E o mais legal é ver o quanto ELA curte participar do nosso trabalho. Se sente importante e parte fundamental do trabalho do papai e da mamãe. Tanto que ela já se apropriou da marca e diz que é, também, o trabalho DELA.

Em casa, por exemplo, tem sempre uma hora do dia em que ela pede para brincar de loja. Ela, enquanto “atendente”, já montou seu próprio discurso e diz:

“Bom dia, em que posso ajudar? Temos lindas roupas pai e filho!”.


Olha, esse tal de home-office é cansativo, desafiador, mas é infinitamente mais motivante e prazeroso.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Eis o Motivo do Sumiço!

Abandonar o blog e deixa-lo assim – entregue às moscas – nunca foi meu objetivo. Mas, sabe como é: a filha cresce, a vida anda e as prioridades mudam.

E por aqui, a vida andou de uma forma bastante inesperada.

Desde que Manu nasceu, nunca quis voltar a trabalhar. Pensar em estar, no mínimo, 9 horas por dia longe da cria me causava desespero. Queria estar perto. Dar o “puxão de orelha” quando fizesse besteira, dar o afago quando se machucasse e dar as gargalhadas nas novas descobertas.

Graças a Deus – e à família -, tenho a oportunidade de educar minha filha da forma que escolhi.

Mas não há bônus sem ônus, certo? E escolher estar em casa é abdicar de um tantão de outras coisas. 

A renda diminui e a vida, definitivamente, passa a girar em torno de qualquer outro umbigo que não seja o seu. Tudo, menos você, é prioridade. A filha, o marido, a comida, a casa... E a sua vida própria é deixada de lado.

Confesso que até que, no geral, lidei bem com tudo isso e paguei feliz o preço da minha escolha. 
Minha rotina com a Manu sempre foi cheia de atividades e a gente cresceu muito juntas. Muito mesmo.

No entanto, não querer a vida louca do trabalho “formal” não anulava a vontade de trabalhar. Por isso, depois de muita, muita, muita, muita conversa; depois de muito, muito, muito, muito pensar; marido e eu resolvemos arriscar e empreender.

Juntamos o que ele sabia fazer, gostava de fazer, sonhava fazer e fazia melhor com a minha disponibilidade, minhas habilidades e, sobretudo, meus sonhos. Deixamos o medo para trás e andamos para frente, no melhor estilo “é agora ou nunca!”.

Disso tudo, nasceu Bolota Mini Roupas. Nossa marca voltada para os meninos de até 8 anos.

YEP!

Você leu bem: Meninos!

Claro que meninas também podem usar. Manu, inclusive, tem sua t-shirt. Mas o foco, pelo menos por enquanto, é a molecada mesmo.

E, desde então, a vida é uma loucura só. Um malabarismo entre cuidar da filha, da casa, de mim e da marca. E o blog foi assim, ficando de lado ... Mas há tempos ando querendo falar um pouco mais sobre home-office!

Opa!

Esse, então, será o tema do próximo post!


Até!

Enquanto isso, passa lá no facebook e no site pra conhecer um pouco mais!


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Pra quem pediu: Mais um pouquinho sobre a escolha da escola!

E não é que meu cantinho ainda existe? E rende frutos! Delícia isso.

Há tempos venho buscando motivos para escrever e, de umas semanas para cá, algumas mães passaram por aqui e me fizeram algumas perguntas, principalmente sobre o assunto creche/escola.

Pois bem!

Como os questionamentos foram variados, resolvi responder a todas com um post novo e, quem sabe?, tentar ressuscitar o Confissões.

Simbora!

Quando visitei todas as escolas aqui na redondeza, a minha preferida foi a Meimei. Ela tinha cara de escola, cheiro de escola e clima de escola. Era tudo que eu queria. Ela, inclusive, lembrava a escola onde eu estudei... aí não teve jeito... Foi amor à primeira vista.

No entanto, a distância e a filosofia de ensino pesaram contra na hora de decidir.

Explico: não tenho qualquer conhecimento sobre a linha Montessoriana. Ela me encanta, me instiga e até me motiva ainda nos dias de hoje.No entanto, fiquei com medo que ela, mais na frente, trouxesse problemas à minha filha. Pode parecer loucura, mas eu senti um desconforto no coração e não fiquei segura.

Outra opção que muito me atraiu foi a Oga Mita. Mas somente no papel. Ela é referência quando o assunto é Construtivismo. Porém, além de ser um pouco distante e de ter um preço bem salgado, as funcionárias não fizeram a menor questão em me atender. Era preciso agendar e, por isso, nem um mísero bate-papo rolou. Aí não dá, né?

No final, confesso que a simplicidade determinou a escolha. Não a simplicidade da escola em si. Mas do nosso dia a dia. Pertinho de casa, bem estruturada e acolhedora, a Tatibitati nos ofereceu exatamente aquilo que precisávamos naquele momento.

Manu brinca, aprende e faz muitos amigos. A escola é super acessível e suas professoras também. Não há qualquer burocracia para conversarmos tête-à-tête com as tias, pedagogas ou quem quer que seja. Muitas vezes, é na hora da saída que tiro as minhas dúvidas.

Claro que perfeição não existe e, muitas vezes, questões administrativas me deixam um tanto incomodada. Mas o carinho com que tratam minha filha - e todas as outras crianças - desde a recepção até depois da saída é recompensador.

Mais que isso: ver os olhinhos da minha baixinha brilharem me fazem ter a certeza de que fiz a escolha certa!

***

Às que pediram, prometo me esforçar e voltar pra contar como anda tudo! E já adianto que está tudo muito diferente!

Aguenta aí!!!!


quinta-feira, 7 de maio de 2015

À Minha Mãe, UM FELIZ DIA!

Eu sempre dei valor à minha mãe. Nunca fui uma criança ou adolescente que a preteria e priorizava as amigas, sabe? Sempre, sempre, sempre tive um imenso prazer de tê-la em minha companhia e de dividir as coisas com ela.

Nunca me envergonhei de tê-la na porta da escola me esperando. Nem mesmo no auge da adolescência. Se podia, carregava ela comigo para as festas e amava vê-la rodopiando, sambando e desfilando todo seu sorriso e requebrado pelo salão.

Orgulho mesmo. Admiração. Espelho. Base. Ponto de Partida. Ponto de Chegada. Amor que explode.

Esses sempre foram os sentimentos que predominaram (e predominam) em mim quando o assunto é ela: a minha Generosa Barbosa! Nome forte e com uma rima tão melódica, que só poderia caber em alguém que já acorda cantando e dançando.

Claro que brigamos. Evidente isso! Minha mãe não faz o tipo delicada e fofa, que conta até dez e aplica a disciplina positiva. De jeito nenhum! Dona Generosa era aquela que, na hora do pegapacapá, dava uns belos berros politicamente incorretos, capazes de botar tudo no lugar graças aos altos decibéis de sua voz.

Muitas vezes sobravam palavrões. Mais vezes ainda, sobravam (e, ossshhh!, como sobram ainda) doses cavalares de verdades doídas na veia.

Sabe aquelas coisas horríveis sobre você mesma, que você guarda lá nos fundilhos dos seus sentimentos e que não ousa trazer à tona para não doer ainda mais? Pois bem! Ela é daquele tipo de mãe que os lê com a clarividência e sensatez de uma paranormal e que não faz questão alguma de poupar a dor. Ela fala mesmo. Catuca fundo, como quem tem o prazer de mexer e remexer uma unha encravada. Como quem arranca o band-aid de uma única vez.

Porque pra ela é assim: é colocando pra fora, de uma única vez, que se alivia a dor. Sem rodeios. Sem mimimis.

Em compensação, é a primeira a nos acolher. É aquela que está sempre do nosso lado.

Nosso lado? Não!

Ela está sempre dentro de nós. De mim, da minha irmã, das netas, da sua família. Ela veste a nossa camisa. Mesmo que seja de força! Mas ela veste. Apertada, larga, confortável. Ela nos acolhe de tal forma que consegue sentir o que sentimos.

- Mãe, tenho medo! Não consigo!

- Medo? Esqueceu que você tem mãe? Vamos lá dar a cara pra bater. Se der errado, a gente tenta de novo!

- Mãe, errei!

- Errou? Errou feio! Mas agora que a besteira (coloque aqui um palavrão!) está feita, qual a providência pra resolvermos?

Sempre no plural. Nunca no singular. Sempre caminhando junto e pra frente. Buscando resolver os problemas e caminhar. Ela não nos dá tempo pra remorsos.

Mas, apesar de tudo isso. Desse amor tão grande desde sempre, posso dizer que só hoje consigo compreende-la melhor. Consigo entender suas escolhas, suas renúncias e sua força. Consigo enxerga-la com mais nitidez e me cobro, ainda mais, pra ser como ela.

Eu preciso ser pra minha filha o que ela é pra mim: segurança, companheirismo, alegria, entrega. Minha filha merece essa mãe. E minha mãe merece essa filha.

Essas filhas. Porque somos dois os frutos dessa mulher tão guerreira.

À minha mãe, com todo meu amor.

Que todos os dias sejam felizes como você!


A todas as mães, minha admiração infinita.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

O Castigo

Hoje vi um vídeo – de fofurice extrema, aliás – no qual uma menina de uns dois anos comia o batom novo da mãe e ainda dava uma parte para o cachorro comer. Maravilhoso, né?

Papo vai, papo vem, a mãe diz à menina:

- Agora você terá que ficar de castigo.

E sem pensar meio segundo, Manuela comenta:

- Igual a mim! Também fico de castigo toda hora.

...

...

...

Oi?

Sabe quando o mundo para? Pois é. Por um instante, não vi mais nada na minha frente e na minha cabeça começou a passar um filme sobre a educação que dou à ela e, principalmente, minha forma de repreende-la.

De cara, tentei lembrar quando foi a última vez que a deixei de castigo. Pensei, pensei, pensei... e juro que não consegui lembrar. Três semanas, um mês, dois meses???

Manuela é uma criança calma, na medida do possível. E quando digo isso, as pessoas costumam visualizar uma menina que passa o dia sentada a contemplar a vida. Desenhando, vendo televisão, brincando quietinha num cantinho da casa...

Não! Definitivamente não é isso.

Manuela é uma menina tranquila, bastante obediente para quem está – teoricamente – vivenciando os terrible two e muito delicada. Mas não é criança de novela. Sobe nas coisas, faz arte, pinta o corpo todo, adora correr e pular, etc etc etc

Uma menina como outra qualquer, que, apesar de fácil de lidar, tem suas crises de independência e malcriação.

Na maioria das vezes, consigo contornar com ações positivas. Outras tantas vezes, é à base da boa e velha bronca mesmo. E em raríssimas exceções, baixou aqui a supernanny e a conduzi ao cantinho do pensamento.

Não estou contando isso para me explicar, justificar e muito menos para me condenar. Mas confesso que me assustei com seu comentário!

Como assim “também fico de castigo toda hora”? Em que planeta isso acontece?

E mais: toda essa meia dúzia de três ou quatro vezes em que isso aconteceu teve que efeito sobre ela? Aquele que eu desejava? Melhor? Pior?

Como marcou a cabecinha dela? Como repreensão? Disciplina? Ou medo mesmo?

Ou nada também? Sem dimensão de tempo e espaço, falou por falar?

Honestamente? Não faço a menor ideia. Mas, pelo menos, tudo isso me fez parar pra repensar minhas atitudes e reavaliar como ando conduzindo sua educação.


Tarefa difícil essa de educar, viu?

terça-feira, 14 de abril de 2015

Descompartilhando a Cama

Logo que Manuela nasceu, por pura comodidade, ela dormia no carrinho ao lado da minha cama. Amamentar não era fácil e era na madrugada que conseguíamos nos conectar de forma mais profunda.

Por isso, ela se mexia, eu trocava sua fralda e já a colocava no peito. Ela mamava, arrotava e voltava a dormir. Bem ali do meu ladinho, sem qualquer esforço. Não precisava levantar, acordar marido, não despertava a cria e ainda me rendiam alguns minutos a mais de descanso. Era o paraíso na terra.

Com o tempo, um motivo ou outro me fizeram adiar os planos de colocá-la em seu berço. Rua barulhenta, ligar apenas um ar-condicionado, cansaço... E, de repente, movida por pura inércia, me vi compartilhando a cama.

Mas marido reclamava dos inúmeros chutes e pontapés e da consequente perda de espaço na cama. 

Foi, então, que minha obstetra me sugeriu comprar um chiqueirinho. Ela continuaria perto de mim, mas nosso espaço estaria preservado.

Gênia!

A partir daí, não tinha regra. Muitas noites ela dormia no chiqueirinho e outras tantas, na minha cama. A única certeza era que o berço do seu quarto continuaria com sua incrível e indispensável função decorativa.

Eu era (e sou) completamente apaixonada pela ideia da cama compartilhada. Descobri nela – e na Criação com Apego – algo muito mais profundo e intenso que apenas dividir o mesmo espaço.

Era entrega, conexão, intimidade. Fortalecer vínculos. Era passar confiança. Era estar disponível. Era dar e receber amor de uma forma palpável.

E como ela dormia bem quando estava entre nós dois! Percebia, às vezes, seus olhinhos abrindo e, ao enxergar um de nós, suspirava de alívio e voltava a dormir. Tão lindo!

Todas as noites ela se remexia até conseguir se aninhar em mim e dormir tranquilamente por mais muitas horas. Tão tão tão bom!

E eu continuo acreditando e defendendo essa prática. Mas acredito também que eu devia dar a ela o direito de escolher. E se ela quisesse curtir seu próprio cantinho? E se ela quisesse dormir rodeada pelos seus brinquedos, naquele espaço que foi, tão cheio de amor, planejado especialmente pra ela?

Além disso, daqui a pouco, ela não caberia mais no chiqueirinho e só teria a nossa cama mesmo para dormir. Não queria, de uma hora para outra, forçar um desapego. Não não não!

Foi então que no sábado de manhã perguntei a ela se, à noite, gostaria de dormir em seu quarto. Toda animada, ela disse que sim! Mas confesso que não levei muita fé naquela empolgação toda. Manu é muito chicletinho ciumento e não ia deixar papai e mamãe sozinhos no quarto com toda essa facilidade! Mas quando chegamos em casa, já na hora de dormir, ela mesma disse para minha mãe ao telefone:

- Vovó, hoje vou dormir na minha cama! No meu quarto!

Ela estava tão orgulhosa, que, apesar da descrença, resolvi arriscar.

O berço dela é daqueles que tem uma cama embaixo. Tirei dali o colchão e coloquei direto no chão. Deitei com ela, nos abraçamos, e ela logo adormeceu.

Preparei a babá eletrônica e fui pro quarto com o coração na boca! Achei que fosse passar a noite em claro. Mas o excesso de sono me fez apagar linda e deliciosamente!

E a mocinha também! Acordou tranquila, sozinha, na manhã seguinte. Ela estava tão feliz de estar no quarto dela que eu percebi que dividir a mesma cama, hoje, era mais importante pra mim do que pra ela.

Percebi que a grande lição da cama compartilhada, ela aprendeu: que nós, papai e mamãe, estaremos sempre disponíveis pra ela. SEMPRE SEMPRE SEMPRE...

Quando ela quiser, no dia que quiser, e por qualquer motivo que for, ela será recebida em nosso quarto com carinho e alegria. Ela jamais será vista como empecilho para nós dois! Que absurdo, aliás!, seria isso.

E assim tem sido. Toda noite dou a ela a oportunidade escolher e aviso que nada precisa ser definitivo.

Por enquanto, seu quarto tem vencido!

E a gente segue por aqui, compartilhando muito mais que a cama: compartilhando o amor!


segunda-feira, 13 de abril de 2015

YES, WE (ALL) CAN!

Andei passeando aqui pelo blog, lendo as histórias antigas, as minhas declarações de amor à ela, as minhas infinitas aflições...

É tão engraçado – e útil! – olhar pra trás. Reviver memórias, perceber o quanto o tempo voou, o quanto Manu cresceu e o quanto amadurecemos enquanto família.

Parece que a cada passo â frente, vamos criando cascas. Escudos mesmo. Ficamos mais fortes e mais seguras. E, mais do que nunca, temos a certeza de que damos conta, sim-senhor-obrigada, dessa tal maternidade.

YES, WE CAN!

Todas nós! Basta adicionar paciência e dedicação ao tanto de amor que já transborda e... pimba! 

Ultrapassamos todas as barreiras.

Tinha medo da Manu não comer...agora come!

Tinha medo dos dentes ... nasceram sem dar trabalho.

Tinha medo de escolher a creche certa... Já está no Maternal I, na natação, no ballet...

Tinha medo do desfralde ... por aqui, há 5 meses, só entram calcinhas!

Tinha medo de desfazer a cama compartilhada... está dormindo no seu quarto e amando a ideia (amando muito mais que eu, inclusive!).

As coisas foram acontecendo, minha confiança se fortalecendo e aprendi a deixar fluir, sem pressa.

E quando dei por mim, aquele bebezinho que tanto chorava deu lugar a uma menina linda, que transborda delicadeza e esperteza. Uma menina que conversa comigo o dia inteiro. Que me explica suas vontades e vive me contando seus causos e peraltices. Uma mocinha tagarela e cheia de tiradas divertidas. Que repete muitas vezes ao dia que a mamãe é sua melhor amiga e que morre de saudades do papai, que insiste em ir, todo dia, ganhar esse tal de tutu.


Uma menina encantadora, mas que preserva aquele mesmo olhar forte do primeiro dia fora da barriga.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Desfraldada!



Xente, tem uma mocinha linda e desfraldada nesta casa! #todascomemora!!!

Uhuuulll!

Sem grandes estresses, sem grandes problemas e sem seguir todas aquelas regras com as quais nos preocupamos desde a gravidez. Foi rápido, simples e indolor!

Então, senta que lá vem a história...

Manuzita, há poucos meses, ensaiou umas idas ao troninho. Nada muito sério, mas que acendeu o sinal de alerta na mãe aqui. Como, dias depois, o amor pelo dito cujo acabou, abortei a ideia e preferi deixar para começar todo o processo no início do ano.

Porém, por mais que eu queira tabelar nossa vida no excel, crianças são imprevisíveis e, de uma hora para outra, tudo mudou.

Depois de uma festinha infantil, Manu apareceu com manchas pelo corpo, que ficavam mais fortes próximo à fralda. Acreditando se tratar de uma alergia, a pediatra pediu que a deixássemos o maior tempo possível de calcinha.

Na hora, meu coração partiu. Fiquei tensa e preocupada, sem saber se ela estava realmente pronta pra isso. Mas, sem opção, respirei fundo e fui. Num primeiro momento, não sabia ao certo onde isso ia dar. Se seria, ou não, um desfralde oficial. Deixei, mais uma vez, meu coração me guiar.

E assim foi: dia 21/11, conversei com ela e expliquei que, por conta do vermelhinho no corpo, ela ia tentar fazer xixi no penico. Que, caso escapulisse, eu não brigaria e que ela ficasse tranquila, que tudo ia dar certo.

Pouco depois, Manu estava bem irritada. Resmungava por tudo, só queria colo e, sem segurar, fez seu primeiro xixi no chão.

Já esperando por aquilo, beijei, abracei e tratei de limpar tudo: chão e criança!

Como ela estava nervosa, coloquei-a para dormir. No meio do soninho, veio o auge do estresse: minha filha acordou chorando muito, pedindo a fralda. Não queria fazer no penico de jeito nenhum. Chorou, se descabelou, deitou no chão e até soltou, à la Fernanda Montenegro, um "me salva, mamãe, por favor".

Não houve psicologia infantil que a convencesse sentar no troninho. Mas houve muito muito muito amor para ajudar minha princesa a passar por aquele momento difícil.

Então, perguntei se ela queria colocar a calcinha de volta. Ela disse que sim. Abraçada em mim, pediu para ir pra minha cama. Mesmo sabendo o que ia acontecer ali, coloquei.

Sentou no meu lençol limpinho e fez todo o - muito - xixi ali. Com um sorriso envergonhado, me pediu desculpas.

Beijei muito minha baixinha. Disse que não tinha que pedir desculpas de nada e que eu tinha certeza que, na hora certa, ela ia usar seu troninho. Lembrei-a de que estou sempre ao seu lado e que toda essa fase difícil ia passar.

Meu povo, eu fiquei com o coração despedaçado. Sabemos o quão delicado é o desfralde, imagina compulsório! Visualizem uma mãe arrasada: era eu!

Logo, eu estava determinada a fazê-la vencer. Coloquei o penico na sala e fomos até lá. Peguei um álbum de fotos e disse que ele só poderia ser visto com ela sentada no peniquinho. Ela ficou ressabiada, mas foi.

Pouquinho depois, tocava a musiquinha do xixi (sim! o penico dela toca uma musiquinha toda vez que é usado com sucesso).

Comemoramos, nos abraçamos, dançamos! Celebramos muito aquele momento que, convenhamos, só quem é mãe (e pai) entendem. Nunca, na vida, imaginei ficar tão feliz por conta de um simples xixi.

E foi impressionante como ela relaxou depois daquilo. Toda a irritação foi embora e ela ficou muito orgulhosa de ter conseguido.

Naquele dia, dali em diante, não houve qualquer vazamento.

Na hora de dormir, optamos por fralda de pano. Meu bem, vem cá, o que é a fralda de pano? Tem que ter mestrado em origami pra dobrar aquilo seguindo as instruções da caixa. Marido e eu quebramos a cabeça e, ainda assim, não encontramos o jeito certo. Orgulho das gerações antigas!

Já dormi pedindo PELAMORDEDEUS, rezando mil Ave-Marias, para que não molhasse tudo à noite. O problema não era o xixi. O problema não era limpar. Mas imagina ter de tirar e dobrar tudo de novo? Se acordada foi impossível, imagina com sono. Quantas vezes eu teria que fazer aquilo?

Mas oração de mãe não falha, povo! E Manu amanheceu sequíssima. A moçoila acordou e foi logo fazer seu xixi matinal com o pai. Igual gente grande!!!

E assim foi! Neste dia ainda houve uns escapes. Mas, todas as vezes que perguntávamos, ela aceitava ir. Só vazou quando, por algum motivo, ficamos mais tempo sem perguntar.

Nesta noite, corri o risco, e coloquei a calcinha. Marido achou que eu pirei, que ela ia fazer várias vezes a noite e que não daria certo. Mas eu resolvi assumir o risco. Não queria colocar a fralda descartável e vê-la ainda mais vermelha. Sem contar que detestei a fralda de pano (que me desculpem as ambientalistas!) e me causava pânico ter que passar a noite fazendo dobradura. Acreditei na minha filha, na minha paciência, e paguei pra ver.

Antes de dormir e durante a madrugada, levei-a ao penico.Pimba: mais um dia de calcinha limpa.

Depois disso, gente, dá pra contar em uma mão quantos escapes aconteceram. E, na segunda-feira seguinte, já foram todos os xixis E cocôs no lugar certo.

Vale dizer que ela segurou o cocô por dois dias. Não pressionei e, quando não deu mais pra segurar, ela aceitou fazer direitinho. Sentei no chão com ela, e segurei suas mãos. Conversa vai, conversa vem e pronto! Problema resolvido!

Na terça-feira, ela tinha consulta com uma alergista. Seria a primeira vez que ela sairia de casa sem fralda.

No consultório, descobrimos que não era alergia, gente!, era virose ! Mas estávamos no quinto dia de sucesso e não havia motivo pra retroceder.

Passamos o dia no shopping. Eu, ela e minha mãe. Encontrei uma tábua de vaso portátil e resolvi todos os nossos problemas com banheiros públicos.

Para mim, ali foi decretado o desfralde oficial! Já estava há mais de 48 horas sem deixar nada escapar e aceitou, com tranquilidade, fazer xixi na rua.

Na quarta-feira, ela voltou à escola com um kit para eventuais surpresas. De novo, não deu qualquer trabalho...

Sendo assim, contrariando algumas regras dos desfralde, eu tenho uma filha de calcinha! De dia AND de noite! De uma vez só!!!

Para ser bem sincera, eu acho que alguns fatores contribuíram para um desfralde rápido e tranquilo.

Em primeiro lugar: Manu! Ela foi a grande responsável pelo sucesso. Acredito que ela estava 100% pronta pra esse processo e me ajudou muito mais do que foi ajudada.

Depois, acredito que ter ficado muitos dias seguidos dentro de casa favoreceu. Ela começou na sexta de manhã e só pôs os pés na rua na terça-feira. Foi um intensivão comigo e, no final de semana, também com o pai. Acredito que tenha feito ela criar confiança mais rápido.

E, por último, a minha calma. Independente do que acontecesse, eu estava disposta a ajudá-la. Compreendi suas dificuldades e passei segurança e tranquilidade pra ela. 

Minha baixinha deu mais um passo nesta vida! Cresceu mais um pouco e, de novo, me fez transbordar de alegria.



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Quem sabe amanhã?

Terça-Feira.

6:40. Acordo. Preparo o uniforme da filha. Agora, a mamadeira. 

Tentativa 1 de acordá-la.

Tentativa 2.

Tentativa 3.

7:00. Resmungando, abre os olhos e toma seu leite.

Não quer levantar. Diz:

- Não quero ir pra rua! Não quero ver Papai Noel!

Entendo. Sinal de que o ano está voando. Explico que não verá o bom velhinho. 

7:10. Coloco a filha no banho. A hora passando. Já estamos atrasadas.

Visto seu uniforme. Penteio seu cabelo. Está pronta. E linda. Muito linda, é claro!

Ajudo marido a arrumar sua roupa. Manuela acha a caixa de massinha. Mexe. Eu digo não.

Correndo, tomo um copo de leite, visto minha roupa. Disfarço a cara de sono e parto pra rua.

7:40. No colo, levo Manu pra creche. Na esquina, coloco no chão. Resmunga pra entrar. Hoje, não quer a tia Tati. Quer a tia Sarah. Ela entra. Eu saio.

8:00. Em casa, tomo banho. Correndo. De saída, de novo.

Ônibus Lotado. Calor.

9:30. Centro da cidade. Saara. Aquele calor duzinferno. Ajudando marido a resolver um problema.

Ônibus vazio. Mais calor.

Hortifruti. Frutas, legumes, verduras e, de novo, mais calor.

11:00. Casa. Umbigo no fogão. Mini tortilhas de legumes. Arroz integral. Frango grelh... Ops! Não dá mais tempo.

11:50. Hora de buscar a Manu. Suada. Descabelada.

Filha faz cocô. Banho. Mamadeira. Soninho.

Lavo a louça. Termino a comida. Mais louça na pia.

14:00. Hora de acordar a filha. 

Lanche. Suco de laranja e dois biscoitos integrais com requeijão.

16:00. Arrumo pra natação. Filha nadando. Eu, resolvendo problemas na creche.

Casa. Manu sem fralda. Xixi no chão. Banho rápido.

18:15. Janta. Filha resmunga. Eu insisto. Raspa o prato.

Manu suja. Mesinha suja. Chão sujo. Cozinha imunda.

Filha chora. Quer colo. Pode ser o calor.

Banho. Pijama.

19:30. Deitamos. Conto uma história. Não quer dormir. Quer Peppa.

Ih! Esqueci de almoçar. De novo.

20:30. Marido chega. Lanchamos.

22:00. Deitamos. Manu mama. Dormimos.

02:00. Acordo. Perco o sono.

Lembro da cozinha. Da minha sobrancelha por fazer. Da unha quebrada. Dos livros que tenho pra ler. Dos projetos pra tocar.

Melhor tentar dormir. Quem sabe amanhã?







quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A Creche. A Comida. O Vilão.

Gosto muito da escolinha da Manu. Boas instalações, boas atividades e bons profissionais. Sua tia é maravilhosa: competente e muito carinhosa com os pequenos. Manuela a ama de paixão. E, claro!, eu também! Afinal, quem nunca ouviu aquele ditado: quem a boca do meu filho beija a minha adoça?

Se faz bem a ela, faz bem a mim! Simples assim!

É palpável o quanto ela aprendeu nestes 10 meses de creche. E eu sou imensamente grata por isso. À professora e às auxiliares. Elas são responsáveis diretas por todo esse crescimento.

Ontem, porém, enquanto dava uma fuçada no facebook da instituição, deparei-me com uma foto que, instantaneamente, ligou meu botão de alerta!

Um show de mágica de ninguém menos que Ronald McDonald! Em carne, osso, cabelo vermelho e muita caloria!

Não. Não. Não. E não. Definitivamente, não ornou!

Já lutamos tanto, diariamente, para manter uma alimentação saudável. Já lutamos contra tantos empecilhos (comerciais de tv, personagens nas embalagens, etc etc etc) que insistem em achar que porcaria é comida de criança e até a escola vai jogar contra? 

Pode isso, Arnaldo?

Não sou radical, eu confesso. Na verdade, apesar de lhe oferecer uma alimentação bastante saudável, sou mais permissiva do que deveria gostaria.

Mas me “dou ao trabalho” – ops! Desde quando cuidar de quem amamos é trabalho? - de aprender, de buscar receitas novas, que sejam nutritivas e saborosas. Cuido com tanto carinho das coisas que minha filha come e eu e meu marido nos esforçamos para mudar os nossos hábitos e lhe dar, também, bons exemplos. Estou sempre com o umbigo no fogão para, sem motivo algum, a escola ceder à pressão e, mesmo que nas entrelinhas, estimular o consumo de tanta porcaria?

Assim não dá!

Há poucos meses, na reunião trimestral, a nutricionista da escola bateu fervorosamente na necessidade de cuidarmos de perto do que as crianças ingerem. Obesidade infantil, crianças com colesterol elevado, pressão alta... Tudo isso foi discutido e explicado por ela, nos dando a entender que ali esse assunto era, também, tratado com a devida seriedade.

De alguma forma, levando o personagem às suas instalações, ela está legitimando o consumo daqueles sanduíches, dos refrigerantes e de todas as porcarias que a indústria tenta, a todo custo, nos enfiar goela abaixo. Afinal, todas as informações que permeiam o universo escolar são de extrema relevância na construção de uma criança.

Definitivamente, não curti. E a escola perdeu alguns pontos comigo.

Será que estou tão errada assim? É muita tempestade num copo d’água?

Até quando vamos tratar a alimentação infantil com tanta irresponsabilidade?








sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Festa da Democracia? Ops! Que Festa?

Domingo é dia de eleição e eu dou graças a Deus por minha filha ter apenas dois anos e ainda não compreender todo este circo nonsense.

Há muitos anos, eu era uma pessoa que curtia política. Que acreditava no poder do voto e, principalmente, no poder de transformação do homem. Acreditava que a massa unida era capaz de coisas inimagináveis e tinha certeza de que, um dia, ainda veria um mundo melhor.

Mas isso, infelizmente, ficou lá atrás, junto com a Patricia adolescente e menor de idade. Hoje, devo assumir, tenho uma grande dificuldade em lidar com tudo isso.

Ainda acredito no homem. Não em todos... de repente, em alguns. Ainda acredito no amor como arma de transformação. Acredito na boa vontade. Na solidariedade. No respeito e no bom senso. 

Mas, não. Eu não acredito na política. Naqueles homens e mulheres capazes de tudo para conseguir um voto. Naquelas pessoas que mais parecem lobos em pele de cordeiros. Que sorriem falso, abraçam o trabalhador e a dona de casa, prometendo-lhes o imprometível.

Nojo e medo definem.

Como cidadã, me informo e tento - quase em vão - escolher com sabedoria aqueles que me representarão no poder. No entanto, com os dois pés atrás, me causa um imenso desconforto ter de apertar o tal do CONFIRMA e optar entre o sujo e o mal lavado. É de doer o coração - e o estômago!

Toda essa encenação política vai além da minha compreensão. Toda essa militância carregada de ódio simplesmente não entra na minha cabeça. É ou não é uma democracia? Temos, ou não, o direito de escolher em quem votaremos?

Pra que tudo isso? Pra que tanta ofensa? 

Meu facebook, por exemplo, virou um cenário de guerra. Ainda bem que minha filha não sabe ler! Imagina ter de explicá-la tanta barbaridade? Tanta discórdia em nome de - acreditem! - um bem comum? Perde-se o respeito por motivos tão simples. Esquerda Caviar, Direita Coxinha, Comunistas, Reacionários, Ditadores, Fascistas, Tiranos, Burros, Idiotas, Imbecis... rótulos e xingamentos que parecem não ter fim.

Como explicá-la a imundice na qual a cidade se transforma com o aval daqueles que têm o dever de mantê-la limpa? Como explicá-la que o Choque de Ordem exige a retirada de todos os outdoors das ruas por conta da poluição visual e permite que o rosto de candidatos estejam estampados em todos os muros da cidade, quiçá do país?

Como explicá-la a distribuição de santinhos - que serão jogados NO CHÃO - mesmo sendo proibidos no dia da eleição?

Como explicar bares lotados e tanta gente bêbada? Motoristas cometendo barbaridades no trânsito, dirigindo com ódio?

Como explicar que todas aquelas promessas serão transformadas em fortunas desviadas? Em obras inacabadas? Em escândalos de corrupção? Em políticos ricos e população pobre? Tantas e tantas e tantas perguntas e nenhuma resposta.

Eu juro que não entendo o por quê de tudo isso. Difícil de digerir.

A minha parte mais ativa, acredito, eu faço no dia a dia. Agindo com respeito ao próximo e ao meu país. Tentando ser uma cidadã digna e, principalmente, ensinando minha filha a ser diferente de tudo isso que se vê por aí.

Torço muito para que as gerações futuras sejam diferentes. Que não percam a esperança e o sonho de mudar. Que elas realmente priorizem o amor e o bem, e que a dificuldade de escolher entre dois ou mais candidatos seja pela competência e honestidade de cada um, e não o contrário.

Torço pra que nossos filhos, quando forem às urnas, possam, de fato, festejar a democracia! Porque eu, Pátria Amada, estou quase jogando o chapéu...

Imagem retirada do site
http://comunidadetribunalivre.blogspot.com.br/2014/08/poluicao-visual-eleicao-2014.html

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Medo e a Porca



Manuzita é medrosa. Do tipo cagona mesmo, que se encasqueta com bicho de pelúcia! Animais, em geral, lhe causam aflição e, a todo momento, repete:

- Eu mooorre de medo de cachorro!

Há poucas semanas, fomos à Fazendinha. Família reunida - papai, mamãe, dindinha, prima e avós - para curtir uma manhã rural.

Foi só sair do carro para percebermos qual seria o clima do passeio. Foi só dar de cara com um boi, pra avisar:

- Não quero ir no boi, não! Bem longe! Bem longe!

A partir daí, a criança não queria mais por os pés no chão. De jeito nenhum nenhum nenhum.

Enquanto a prima, onze meses mais nova, corria atrás da galinha, Manuela corria DA galinha.

Não tinha bicho que a agradasse. Podia ser um pintinho fofo, um pato, um coelhinho inofensivo. Não importava - se era bicho, ela queria distância.

Essa é minha filha! E eu não tenho qualquer moral e autoridade pra criticá-la. O medo - principalmente de bichos - está no DNA.

Eis que semana passada, fomos à festinha de uma amiga da escola. O tema não poderia ser melhor: Peppa!

Manu ama a Peppa. Não teve Galinha Pintadinha. Não teve Backyardigans. Minha baixinha se apaixonou perdidamente pela porca.

Brincando, pulando, apontando pros personagens, ela estava completamente integrada à festa. Até que em um momento, no microfone, um cidadão anunciou a chegada da ilustre porquinha. 

Ponto alto da festa!

Crianças no colo, olhando para uma espécie de cabine, esperando ansiosamente a Peppa.

Cá com meus botões, pensei: "isso não tem a menor chance de dar certo! conheço meu eleitorado!".

Mantendo uma distância justa da tal cabine, expliquei que a Peppa estava chegando para brincar e lanchar com os amiguinhos. Que ela era boazinha e amiga das crianças. Pedi para que ela chamasse por ela:

- Peeeeppa, vem loooogo! Veeeem Peeeeeppa!

Manuzita ficando ansiosa, e eu, apreensiva.

As luzes da cabine começaram a piscar. O momento estava chegando. Crianças eufóricas. E o mocinho animador, finalmente, grita:

- Vem, Peppa Pig.

...

...

...

Sério! Manuela se transformou. E eu posso jurar que o que ela viu sair daquela porta não foi nenhuma porquinha tagarela - só pode ter sido o Jack Estripador de mãos dados com o Fred Krueger!

Em pânico, ela agarrava meu pescoço. E o que antes era um "vem, peppa!", se transformou num desesperado "vai embora, Peeeppa! Sai daqui, Peeeeppa! ".

E a péssima mãe aqui acalmava a filha quando a minha gargalhada dava trégua!

Gente! A situação foi tão bizarra, que tivemos de ir embora antes mesmo do parabéns. Manu não podia ver a bicha, mesmo que longe, que ela entrava em parafuso. Achei, inclusive, que tinha acabado o amor.

Que nada!

No dia seguinte, acordou falando sobre a Peppona enoooorme da festa da amiga.

Essa porquinha chata está me rendendo bons e inesquecíveis momentos!



A PORCA!



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

We're Back, Baby!

Ihhhh, gente! Há quanto tempo não passo por aqui para contar as novidades, né?. A correria do dia foi dificultando tudo e este meu cantinho tão amado foi ficando de lado.

Por diversas vezes, abri o blogger, ensaiei algumas palavras e, no meio do caminho, desisti. Afinal, tanta coisa aconteceu desde o carnaval, que eu não sabia nem por onde começar.

Mas escrever é um vício, uma cachaça das brabas – e das boas! Pra quem gosta, ficar longe das letras é difícil pra chuchu.

Então, hoje estou aqui. Tentando recomeçar a conversa, retomando meu amor antigo. Falando sobre a minha maior paixão, que é a maternidade.

Nesses sete meses, Manu deu um trabalhinho duzinfernu com a história do peso. Foi diminuindo, diminuindo até beirar a desnutrição.

Visualizem uma mãe em desespero: pois bem! Era eu!

Quanto menos comia, mais doente ficava. Tinha uma virose lá no Acre, numa tribo indígena, e ela já pegava aqui. Fiquei quase um mês seguido sem dormir direito. Pior que puerpério! A pobrezinha se agarrava no meu pescoço a noite inteira e não deixava eu me mover. Se eu ameaçasse virar para o lado, o chororô começava.

Juro! Achei que ia pifar! Que ia dar bode por aqui! Se não fosse pelo sono, seria pelo cansaço ou pela coluna.

Mas passou! Mudamos de pediatra e fomos tratando tudo com calma e dedicação.

Não tem jeito: ela não é olhuda nem comilona! O mais importante é que tem seguido um padrão na alimentação e a consequência disso foi a volta à curva do peso ideal e uma queda na quantidade de viroses. Todas comemora!

A moçoila está super adaptada à creche e é uma bela de uma tagarela. Fala até dormindo a criança.

Minha fofoqueirinha, quando volta da escola, me passa um relatório de tudo que aconteceu por lá e tem umas tiradas magníficas que me fazem morrer de amor – e de rir!

Agora estamos ensaiando um desfralde. Já usou algumas vezes o penico, apesar de manter uma relação de amor e ódio com ele. Tem dias que quer usar e tem dias que quer distância.
Com o calor chegando, vamos intensificar bastante esse processo.

Ontem, quando chegou da natação, deixei-a só de calcinha para dar seu lanche.

- Filha, vou te deixar sem fralda por um tempo, tá? Você está com uma calcinha de mocinha. Vou deixar seu penico aqui, bem pertinho de nós, se você quiser fazer xixi ou cocô, me avisa? Pode ser?

- Pode, mamãe!

Cinco minutos depois, ela levantou a tampinha do penico, tirou a calcinha e sentou.

- Filha, vai fazer xixi?

- Vai!

A mãe aqui toda orgulhosa e comemorando um desfralde sem qualquer estresse.

HA...HA...HA....

Ledo engano. Eu olhava pro penico e nada! Nadica!

- Filha, vai fazer?

- Vai!

E nada! Conversa vai, conversa vem e nada! Nem uma gota pra contar história.

- Filha, quer sair daí?

- Quero! Vou fechar a tampa do meu penico! Quero sentar na tampa! De calcinha! Pra ver a Peppa ( Ahhh, essa porca! Ela merece um post à parte!).

Levantou sua calcinha e sentou. Como não tinha Peppa, foi brincar de qualquer outra coisa.

Tempos depois, enquanto ela bebia água na cozinha, percebo uma água brotando no chão, formando uma imensa poça.

Manuela, toda faceira, diz:

- Mamãe, olha o xixi da Manu! Avisei pra mamãe! Vivaaa! Parabéns pra Manu!!!
=/


Certeza de que este foi o primeiro de muuuitos xixis no chão. Sem problemas! Com calma e paciência, a gente chega lá!

*****

E por hoje é isso! Só um esquentar de turbinas!


segunda-feira, 10 de março de 2014

Um Carnaval de Virose

Feliz ano novo, meu povo! Será que, enfim, este ano começa?

Por aqui, aconteceram tantas coisas que eu não sei nem por onde começar.

Na última vez que escrevi, contei sobre os exames - que graças a Deus não apontaram nada - e a falta de apetite habitué da Manuela, não foi?

Pois então, no dia seguinte, depois de chegar toda serelepe à creche, meu telefone toca comunicando uma febre de 38°C da baixinha.

Temperatura estranha, uma vez que ela não apresentava qualquer sintoma. Nenhunzinho mesmo, a não ser a falta de apetite que, convenhamos, não é nenhuma novidade nesta humilde residência.

Dei banho, antitérmico e esperei para ver o que acontecia. Liguei para a pediatra que me orientou esperar alguns dias até a virose passar.

1, 2, 3, 4, 5 dias de febre! Cinco dias sem qualquer fome. Cinco dias sem comer. Cinco dias aceitando apenas mamadeira.

Não sou de perturbar pediatra. Minha mãe trabalha em pediatria e as médicas-amigas costumam colaborar nas pequenas coisas do dia a dia. Mas desta vez, não podia evitar: ver minha filha amuada, sem comer e emagrecendo não estava me agradando em nada.

Liguei para o consultório e marquei consulta para o dia seguinte. Na parte da tarde, falei diretamente com a doutora. Ela me disse que teria de desmarcar as consultas do dia seguinte, pois estava com um paciente (parente dela) na UTI e não poderia atender às consultas. Para finalizar, disse que se eu estava tão agoniada que era melhor que eu me dirigisse à emergência do plano para tirar qualquer dúvida.

Não gostei e duas horas depois, uma pediatra do pronto-atendimento examinava Manu. Depois de questionar o porquê da pediatra não tê-la examinado e de fazer 1.4578.157.5878 perguntas sobre o peso da minha filha, veio o diagnóstico: virose. Espere mais uns dias que vai passar. Lave o nariz com soro, faça nebulização, continue dando o fitoterápico para a tosse que vai passar.

E assim Manu completou 8 dias de febre! OITODIASDEFEBRE! Não preciso nem dizer que foram, também, 8 dias sem comer.

Passei uma noite em claro, chorando, me sentindo a pior das criaturas. Manuela emagrecendo, enfraquecida e nada da febre ir embora.

Desesperada, liguei pra minha mãe e pedi o contato da pediatra em quem ela confia bastante. Naquele dia, ela não poderia me atender, mas na manhã seguinte abriu seu consultório apenas para ver minha filha.

Bingo!

Quero deixar bem claro que não quero mimo de pediatra. Não quero que ela fique à minha disposição para eu telefoná-la a qualquer hora do dia para falar sobre a cor do cocô ou perguntar se pode colocar batata baroa na sopa. Longe de mim! Mas eu quero alguém que compreenda que minha filha tem apenas 1 ano e meio e que a saúde dela não é brincadeira. Principalmente para mim, a mãe dela!

Manu estava afogada em tanto catarro, prestes a desenvolver uma otite. Seu pulmão estava limpo, mas aquela catarrância não passaria da noite pro dia. 

Não teve jeito. Ela prescreveu alguns remédios, dentre os quais um antibiótico.

Falei muito sobre o quão difícil é fazê-la comer. Ela me tranquilizou bastante, apesar de constatar seu baixo peso. Disse que, primeiro, veria a questão da sua saúde e, uma vez curada, ela partiria pro peso. Manu não comeu porque passou 8 dias com o estômago cheio de meleca.

Depois de 24 horas de remédio, minha baixinha já era outra criança. Disposta, sorridente e - acreditem! - esfoemeada.

Tá...

Esfomeada é um exagero. Mas saiu do jejum e aceitou fazer as refeições. Ela não come muito e eu tenho de respeitar isso. Vê-la comer - mesmo que feito um passarinho - já me deixou bastante satisfeita.

Passamos o Carnaval quetinhos, aguardando uma melhora efetiva. E ela, enfim, chegou!

Já estamos há alguns dias realmente bem. Se alimentando bem, com bochechas coradas e fazendo bastante bagunça. Daqui a dez dias, voltaremos à nova pediatra para ver se realmente está tudo ok com ela.

Hoje, depois de mais de 15 dias em casa, foi hora de voltar pra creche. Achei que o chororô fosse correr solto, mas ela, mais uma vez, me surpreendeu. Foi sem chorar e se esbaldou de brincar.

O choro só veio na hora do almoço - sempre ele! Comeu menos da metade e chorou bastante.

Em casa, dei almoço novamente e a coloquei para dormir.

Depois de tanta correria, vamos ver se, enfim, 2014 começa com o pé direito!











terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O exame, a virose e o desespero

Já era para eu ter passado por aqui há mais tempo, mas as coisas andam bem fora de ordem na minha humilde residência.

Marido saiu do antigo emprego e agora trabalha de casa e Manuzita pegou outra virose que durou a eternidade de uma semana.

Então vamos lá colocar o papo em dia.

Terça-feira passada ela, enfim, fez seu exame de sangue. Eu estava absurdamente tensa e mau-humorada, dando choque em qualquer um que me desse bom dia. Definitivamente, eu não queria que ela tivesse de passar por aquilo.

Mas, como mãe sofre muito mais que os filhos, até que ela se comportou muito bem e até olhou o sangue subir ao tubo de ensaio. Chorou. Reclamou. No entanto, foi bem longe de ser aquele escândalo surreal pelo qual eu estava aguardando.

Para ela, foi muito pior colocar o saquinho coletor de urina que ser furada por uma agulhinha. O saquinho maldito teve de ser trocado três vezes, porque a moçoila resolveu prender todo seu xixi - muito comum nesses casos. Quando não teve mais jeito e ela enfim fez, vazou tudo - TUDINHO - para a fralda. Não foi possível aproveitar nadica de nada. 

Depois de três horas e meia no laboratório, fomos embora sem o exame realizado. Mas no meio da semana fizemos tudo que faltava.

Quando o resultado saiu, a alegria foi imensa. Manuela não tem nada! Estavam apenas algumas taxas um pouquinho alteradas, anunciando a virose que estava por vir.

Confesso que apesar de clinicamente ela não dar qualquer indício, eu esperava uma possível anemia no resultado. Mas, ainda bem, isso não aconteceu!

Também foi descartada infecção urinária e qualquer outro tipo de problema.

E agora pergunto eu: POR QUE RAIOS ESTA CRIANÇA NÃO COME?

Dente?

Implicância?

Terrible two precoce e vitalício?

Preguiça?

Sério!Eu não sei mais o que pensar e o desespero só aumenta. Se por um lado estou tranquila por saber que a sua saúde vai bem, por outro, procuro alternativas pra reverte este quadro.

Como 2+2=4, certeza que ela já perdeu mais peso desde a última consulta.

Eu rebolo, rebolo e só consigo - quando consigo - míseras 5 colheradas de comida. Até fruta ela tem rejeitado.

Eu sei que ela está saindo de uma virose. Mas isso justifica, em parte, ESTA greve de fome. E as tantas e tantas e tantas outras?

Eu não sei onde isso vai parar. E se for fase, JESUS, QUANDO ELA PASSA????

Vamos ver se com o fim desta virose vem alguma melhora, mesmo que discreta, na alimentação da minha filha!

Agora dá cá um abraço porque eu estou precisando!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A saga do (pouco) peso


Na última postagem, falei sobre como eu andava exausta por conta da gripe da Manu e das infinitas noites sem dormir.

Pois bem.

Resfriado foi embora e minhas noites deram uma leve melhorada. Tenho dormido melhor, apesar de não conseguir deixá-la o tempo todo no seu berço. No meio da noite, pede colo e vem dormir no meio de nós dois, abraçada em mim.

No entanto, o sono já é mais tranquilo e não há desespero caso se vire para o outro lado. Deste jeito, consigo emendar algumas horinhas de sono tranquilo. O suficiente para me tirar do nível "tô morrendo" e me colocar no "tô cansada pra caramba". É ou não é um upgrade?

Isto posto, agora que começa meu dramalhão mexicano.

Ontem foi dia de pediatra. Sim! Dia de PE-DI-A-TRA! Dia de pô-la na balança. De prova dos nove. De chororô - dela e meu!

Mais uma vez, Manuela perdeu peso. DE NOVO! 50 gramas a menos que elevaram absurdamente o meu nível de desespero.

A médica, muito tranquila e segura de si, tentou mais uma vez me tranquilizar, dizendo que Manu não tinha qualquer traço de criança "doente". No entanto, para se assegurar disso, ela decidiu prescrever exames de fezes, urina e de sangue para descartar qualquer problema.

Ela já tinha me avisado que assim procederia caso, mais uma vez, Manu apresentasse problema com o peso. Eu já estava preparada. E mesmo sentindo arrepios só de pensar em vê-la sofrer - mesmo que por trinta míseros segundos - eu estou tranquila com o exame em si.

O que realmente me dói fundo é acreditar que de alguma forma eu sou a responsável por isso. Não consegui identificar em que, mas eu sei que a culpa é minha! Eu sou sua mãe, sua cuidadora, sua responsável. Eu sou adulta, oras! E como uma mulher de 28 anos não consegue fazer um bebê comer?

Como eu não consigo fazer minha filha abrir a boca? Ou evitar que cuspa tudo aquilo que ingeriu?

Como? Como?

A greve de fome está pesada e está muito difícil de fazê-la comer. Já adotei todas as táticas possíveis e nada dá certo.

Paciência?? Não sei nem dizer se eu tenho ou não. Eu tenho medo! ME-DO! Medo que dê algo de errado no exame, medo de reconhecer a minha incapacidade, medo de estar fazendo mal a minha baixinha que só sabe me fazer bem.

Não está fácil.

Hoje, tomada pelo desespero, coloquei-a de castigo. Quando, veementemente, se recusou a comer, com calma, levei-a para o chiqueirinho e conversei com ela. Disse que ela precisava comer para ficar forte e, por isso, a deixaria ali pensando.

Segundos depois, com o coração na mão, voltei. Perguntei se ela ia comer e ela disse que sim.

Ok! Eu sabia que não surtiria efeito. Eu sabia que aquilo não faria com que comesse. Mas me entendam, eu já não sei mais o que faço. Quis, de alguma forma, mostrar a ela que aquela atitude de não comer era errada e que traria consequências.

Não comeu e pouco depois dormiu.

Algumas pessoas me dizem que é fase. Mas ela apresenta isso desde os sete meses. Deixou de ser fase e passou a ser regra.

Falamos, na consulta, sobre os estimulantes de apetite. Ela condenou na hora e disse que eles a deixariam boba e gorda e que este não é, nem de longe, o objetivo.

Segunda-feira faremos as coletas. De dedos cruzados para que seja o mais tranquilo possível e para que descubramos que ela não tem absolutamente nada. Que é só uma magrela sem vergonha!

Torçam por nós!

Ah...e umas fotinhos pra verem como a genética também está envolvida nisso:

Eu:




MANU: