quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Assustadoramente cansada

Odeio ter de admitir: estou exausta!

Exausta mesmo! Como se um trator tivesse passado sobre mim. Estou com o corpo pedindo arrego. Pedindo cama. Pedindo sono. Pedindo pra acordar meio dia.

Dificilmente alguém me vê reclamando de qualquer coisa relacionada à Manu. Não faço isso e chego, na maioria das vezes, a me orgulhar da maternidade intensa que vivo. Amor, bom humor e paciência estão sempre sobrando por aqui e só ameaçam a desaparecer quando a baixinha embarca naquelas famosas greves de fome.

Acontece que uma onda pesada resolveu passar por aqui e está roubando grande parte da minha energia. Estou sem fôlego!

Acho que já comentei por aqui um dos efeitos colaterais da creche: Manu não dorme mais uma noite inteira em sua cama. Para piorar, ela precisa dormir absolutamente agarrada em mim. Se pudesse, acho que entraria no meu corpo para garantir que eu não saísse do lugar.

Lindo, né? Também acho! Sentir seu cheiro e sua respiração é a melhor sensação do mundo. Mas esse agarramento todo só é bom na primeira meia hora. Logo depois, coluna dói, pescoço dói, braço dói...etc etc etc

Eu não posso me mexer! Se eu ouso a chegar um centímetro para o lado, de olhinhos fechados, ela chora, levanta os bracinhos e diz: "té a mamãe, té a mamãe".

Além disso, ela está com uma crechite chata! Pegou um resfriado que está bagunçando ainda mais o coreto. Como não atender a um pedido desses da minha princesa que ainda se ajusta à nova rotina, está doentinha e chamando por mim? Impossível!

Que se dane o meu sono! Que se danem minhas costas, meus braços, minhas pernas! Ela é a prioridade.

E essas noites mal dormidas já ultrapassam duas semanas. Aliás, já perdi a conta! Provavelmente já estamos chegando a um mês neste ritmo. Eu simplesmente não sei mais o que é dormir.

Ah! E, claro! Rotina nova e virose = GREVE DE FOME!

Óbvio! Não seria minha filha se não mostrasse seu desconforto parando de comer.

Com dor no coração, levo-a todos os dias à escola. Lá, ela fica bem e ainda come meio prato grande de comida. Porque aqui em casa, é manha para todo lado. Só aceita mamadeira e fruta.

Marido está em casa comigo e tem me ajudado bastante. Principalmente com os afazeres domésticos. Mas tantas noites sem dormir é de acabar com qualquer um. Imaginem agora que o resfriado dela resolveu passar pra mim? Tá ruim pro meu lado, minha gente!

Já tentei dormir algumas horinhas no meio do dia, mas a cabeça - às vezes, minha pior inimiga - resolve não desligar e não me permite embarcar num sono gostoso.

Fato é que estou morta! Paciente, mas morta! E torcendo para encontrar uma luz no fim do túnel e sair desta situação. Estou achando que esse dengo vai permanecer por um bom tempo, mesmo quando o resfriado passar e a creche não for mais uma novidade em sua vida.




quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Adaptação concluída!

Sabe quando a vida dá aquela enlouquecida e que, num primeiro momento, te deixa sem chão? Pois bem! Algo assim aconteceu por aqui e me manteve distante do blog nesta semana.

Simplesmente não tinha cabeça pra escrever.

Todo sentimento de alegria e de força que havia dentro de mim foi canalizado pra minha filha e para me reestruturar emocionalmente, tomar fôlego e prosseguir.

Agora, estamos todos bem. Com a certeza de que Deus, por suas linhas nada tortas, simplesmente nos deu um empurrão para escrevermos a história que há tanto tempo rascunhávamos. 

Não entenderam nada? Desculpa! Foi só um breve desabafo.

Vamos à creche!

Tudo transcorrendo às mil maravilhas. Manu já está super adaptada e anda, inclusive, ensaiando algumas belas artes por lá. Minha baixinha está começando, enfim, a se sentir à vontade no espaço e a revelar todo seu carisma e peraltice para aquelas bandas.

A minha adaptação também já foi feita! Estou tranquila e conseguindo resolver muitas coisas no período da manhã. Retomei até minha paixão pelos livros! Coisa que há 1 ano e 4 meses não conseguia fazer. A escolinha está fazendo bem a nós duas. E eu sempre soube que assim seria.

A única coisa que ainda consome toda minha energia é a lenga-lenga da alimentação da Manu, que - não tem jeito - curte uma fome sazonal! Só pode! Temporada sim, temporada não ela come. Simples assim.

E não engorda. E eu quase morro do coração - como vocês estão carecas de saber.

Quando penso em escrever sobre o quão bem ela tem se alimentado, ela entra em greve. E quando quero desabafar sobre a dificuldade de fazê-la comer, ela desanda a comer tudo que vê pela frente. Assim. Desse jeito. Bem Do-Contra mesmo.

E eu vivo tentando encontrar uma solução definitiva pra essa bipolaridade alimentar da minha filha que, muitas vezes, me leva à exaustão.

Quer sujar a casa inteira de guache? Beleza! Depois eu limpo!

Que fazer xixi pela casa? Sem problemas!

Quer entrar na banheira e molhar tudo? Vamos lá!

Subir nos móveis? Ótimo!

Mas faça-me o favor de comer, criança! O mínimo para se manter saudável! O mínimo para manter a minha sanidade mental em perfeito estado! PELAMORDEDEEEEUS!

Pode ser? É pedir muito?

A única coisa que não entra em greve por aqui é a fruta!

Manu costuma ingerir, no mínimo, 3 diferentes por dia. Tem o hábito de tomá-las em suco (natural!), de sobremesa e no café da manhã. Mas nada impede que coma uma porção ao longo do dia. 

Isso, além de me encher de orgulho, me serve muito de consolo. 

Pelo menos, ontem e hoje, ela almoçou super bem na escola, onde já ficou famosa por não querer comida e pedir para repetir as frutas. Quando chego para buscá-la, já vêm algumas pessoas para me contar como ela se comportou no refeitório. Nestes últimos dois dias, a comemoração foi geral! Vivaaaa!

Enquanto isso, estou na expectativa enlouquecida para saber se minha princesa ganhou alguns graminhas. Dia 12 tem pediatra e eu não vejo a hora de colocá-la na balança - mesmo que sob muitos gritos de protesto - e ver, no mínimo, 300 gramas a mais!



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A quantas anda a adaptação

Aiaiai, esse negócio de adaptação não é nada legal. Mexe com tudo. Rotina, alimentação, sono, dengo e, principalmente, com o emocional desta pessoa que vos fala.

O dia a dia tem sido relativamente tranquilo. Conversando com a equipe da escola, elas disseram que ela chora em dois momentos: logo que chega e quando sai do almoço.

O choro da entrada é o de separação (morro!), muito comum mesmo entre as crianças já adaptadas. Houve dias em que, mesmo com uma entrada tranquila, chorou ao perceber que eu não estava mais por perto. Normal, né?

Passado isso, logo se enturma - na medida do possível, claro! - e até se diverte.

Na hora do almoço, as crianças devem ir para o refeitório, cujo caminho passa pela recepção. No trajeto, ela começa, ressabiada, a me chamar.

Provavelmente por associar aquele espaço à minha presença, não sei. Quando desce, o chororô não para mais. Pelo menos, depois dos dentes escovados e da fralda trocada, chega a hora de ir embora.

Por mais que doa saber que ela sente minha falta (mal sabe ela a falta que EU sinto...), acredito que o processo está correndo dentro da normalidade.

No entanto, algumas coisas têm chamado a minha atenção:

- Desde o primeiro dia de adaptação, ela não dorme uma noite inteira no berço. No meio da noite, chora e pede minha cama. E só de perceber que está entre nós, fecha os olhinhos e dorme tranquila. Quando eu não apago completamente, ainda ensaio devolve-la ao berço, mas ela logo percebe e pede pra voltar.

De repente, sob um olhar pedagógico, eu esteja errando. Mas - quer saber? - eu, neste mento, quero acolher minha princesa e aliviar a pressão da separação. Nada mais! Deixá-la me cheirar bastante e sentir-se protegida. Deixá-la perceber que eu estou incondicionalmente com ela. Deixar-me abraçá-la bastante e diminuir a dor no meu coração. Deixar com que nos adaptemos sem pressa.

- o peso da Manu é um problema que bimestralmente me atormenta (sim! Ainda!). Depois de uma insistente greve de fome, ela voltou a comer bem. Porém, com o início da creche, sua rotina virou de ponta à cabeça.

Minha baixinha não acorda cedo. Nunca acordou. Começa a abrir os olhos – com dificuldade – entre 8:00 e 8:30. E, com isso, toda sua alimentação é atrasada. Toma café quando acorda, perto das 10 faz a colação e almoça por volta de meio dia. Na creche, o almoço é por volta de 10:45. Aí, já viram, né??? Estamos rebolando para enquadrá-la aos novos horários.

Por conta das férias escolares, a creche está na Colônia de Férias. Suas atividades não estão a todo vapor e, por isso, decidimos continuar a adaptação com cautela. Aproveitaremos esse clima mais tranquilo e a minha disponibilidade para inseri-la, calmamente, à rotina.

Sendo assim, em janeiro, ela ainda não ficará as 4 horas e meia por lá. A não ser que percebamos que ela já está apta.

Além disso, Manu resolveu ensaiar uma gripe - nada mais natural: nesse calor infernal aqui do Rio, o entra e sai do ar-condicionado só podia dar nisso mesmo – e nos deu mais um motivo para pisar no freio com sua adaptação.

No meio disso tudo, ela ainda achou tempo para inventar moda: não quer mais usar fralda! Pede o tempo todo pra tirar e ainda me avisa quando quer fazer cocô.

Oi, desfralde? É você que está chegando?

Bom...isso é papo pra outro post que já está quase pronto, esperando algumas atualizações.


Enquanto isso, vamos tentando colocar tudo nos trilhos.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A Minha Adaptação

Semana passada, passei firme todos os dias. A certeza de que fazia o melhor pra Manu me segurou nos cinco dias de adaptação.

Mas hoje, como previa, a coisa foi bem diferente: coração na mão e estômago apertado por deixá-la, de fato, na escolinha.

Marido e eu fomos cantando até lá, repetindo várias vezes que Manu estava indo se divertir com os amiguinhos e que mais tarde a mamãe voltaria para buscá-la.. Fizemos festa ao chegarmos na porta e ela parecia acompanhar nossa animação.

Quando a tia da recepção veio pegá-la, ela não curtiu. Com seu choro meio forçado, agarrou-se a nós não querendo sair. Mas foi só uma das tias com quem ela se relaciona aparecer, para ela abrir um sorriso e ir com tranquilidade.

Só que desta vez, eu não respirei aliviada. Sentada na entrada, eu cheguei a chorar! Sim! Desta vez, meu lado bunda mole aflorou e eu chorei. Marido, muito mais tranquilo que eu, puxou minha orelha ao mesmo tempo em que me confortou.

Passados uns quinze minutos, pedi para vê-la. Ela estava sentada brincando com as tias, uma criança e uma boneca. Sorrindo, sem sinais de choro.

Marido - uma pessoa normal que não chora com comercial de margarina - lembrou-me de ir embora. 

Na rua, frouxa, pedi um abraço e chorei bastante. BAS-TAN-TE! Que sensação esquisita, ruim, horrorosa! Parecia que um pedaço do meu coração fica ali. Assim desse jeito dramático e cafona mesmo.

Em casa, tantas coisas a serem feitas. Tantas possibilidades. Dormir, tomar (outro) banho tranquila, lavar a louça, fazer comida, arrumar o quarto dela, desarmar a árvore de natal (sim! ela ainda está armada), esvaziar a cabeça... Mas eu não sabia o que fazer. Fiquei perdida!

Fui cozinhar para o tempo passar mais rápido. Que vazio!!! Que casa sem graça sem ela. Cadê minha baixinha andando de um lado pro outro chamando mamãe? Cadê minha bagunceira que sai correndo, às gargalhadas, pra se esconder no box? Que vida chata sem ela por perto.

No entanto, eu sei - e sei mesmo! - que todos precisamos viver. Ela e eu. Nós duas passamos um ano e quatro meses numa simbiose perfeita, respirando o mesmo ar e estando, incondicionalmente, juntas. Precisamos aprender a estarmos fisicamente distantes e traçarmos nossos próprios caminhos. Por mais que me doa, é a vida. Não tem outro jeito.

Poderia, sim, esperar até que completasse dois anos. Mas eu não quis. Manu, cheia de energia, pede atividades, tem sede de conhecimento, de descobertas. E as nossas possibilidades aqui não são muitas. Por mais que eu me dedique integralmente a ela e passe o dia inventando coisas, a socialização é saudável e traz muitas novidades. São novos ares, novas opiniões, novas brincadeiras, novos amigos... Privá-la disso por sentir sua ausência seria um egoísmo sem tamanho.

Querê-la só para mim, definitivamente, não é prova de amor! (Tá...querer eu bem que quero, mas eu sou uma pessoa esperta e sei que não está certo!).

Na metade do período, não resisti e liguei. Foram vê-la e me disseram que estava olhando a piscina e que recusou o suco na hora da colação. 

Terminei minhas coisas e fui buscá-la. 

Ela estava descendo do almoço e eu me escondi para que não me visse. A tia Vânia veio conversar comigo e disse que ela não aceitou comer. Na verdade, ela me falou que Manu ficou muito bem e que quase não chorou, até às 10:45, quando resolveu chamar ininterruptamente por mim até abrir o berreiro. Neste momento, sentiram que ela ficou mais quente. Colocaram o termômetro: 37.2°C - provavelmente, emocional!

Tentaram dar o almoço, mas ela recusou, comendo apenas o mamão.

Acreditem sem quiser: o choro dela não é o que me faz sofrer. Não é legal, não é divertido e muito menos motivo para risadas. Mas eu sei que é normal. Todas nós passamos por isso e nem nos lembramos. Não ficamos traumatizadas por ir à escola. Então eu sei que passa!

Eu sofro mesmo por ela não comer (novidade!) e, principalmente, por sua ausência. Eu tenho muita dificuldade de estar longe dela, mas como já disse, sei que é necessário. Sabe mãe apegada? Prazer!

Quando me viu, abriu aquele sorrisão de novo. Que eu farei questão de falar dele todas as vezes que ele aparecer. Recompensa tudo. Apaga qualquer tristeza e me faz transbordar de alegria.

Soluçando, me agarrou muito, mas como sempre, sorrindo e me mostrando tudo. As tias, os brinquedos, o mural. Cantou, dançou...tudo ao mesmo tempo agora, relatando, ao seu jeito, tudo o que fez naquela manhã. É apaixonante!

Em casa, pus o termômetro e sua temperatura estava normal. Apesar de errado, dei a mamadeira para que ela relaxasse junto a mi . Tinha a certeza de que não aceitaria comida.

Mamou tudo bem abraçadinha, pediu a "pepê", fechou o olho e dormiu. Linda como sempre!

E eu estou doida pra que acorde logo pra fazermos muita bagunça juntas!

Amanhã tem mais! 

Wish me luck!







sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Adaptação - Dia 5

Último e mais longo dia de adaptação. Estava bastante apreensiva para saber como ela se comportaria por tantas horas longe de mim e, principalmente, se faria bem as refeições.

Anunciando um período complicado, pela primeira vez, Manu não quis brincar. Ao ser chamada pela tia, recusou. Com calma e cuidado, passei minha princesa para a tia, reafirmando que ela estava prestes a se divertir muito.

Com um chorinho de dengo, lá foram elas.

Meu estômago doeu e eu imaginei que o dia não seria assim tão fácil. Mas, para minha surpresa e alegria, foi! Aliás, foi bem melhor do que eu esperava.

Desta vez, ela ficou um período grande no parquinho principal e, da janela, eu conseguia vê-la o tempo todo. Divertiu-se no pula-pula, no cavalinho, na casinha...

Até a ouvi gritar de alegria ao arremessar uma bola pra longe. Meu coração começou a tranquilizar.

O tempo - ainda bem! - não demorou tanto a passar. A cada oportunidade, eu bisbilhotava minha princesa. Às vezes, estava pouco à vontade no colo de uma tia. Em outras, dançava até não poder mais. Apenas em um momento, vi que soluçava. Mas, mais uma vez, nada difícil de ser contornado.

Foram algumas horinhas papeando com outras mães, com as tias da creche e tentando entender aquele universo do qual minha filha agora fazia parte. Vi muitas crianças, já em idade escolar, que deveriam estar de férias mas que, pela necessidade dos pais, estavam ali sendo entretidos pelas tias.

Juro que entendo o fato! Que cada família que deixa o filho ali, para ser cuidado por outro, fica com o coração apertado por não poderem, juntos, aproveitarem as férias. Mas, ainda assim, meu coração doeu. Aquelas crianças - acho que tinham uns sete ou oito anos - não tinham o que fazer ali. Não há aulas nesta época, mas usavam as dependências da escola sob a supervisão de alguém. Ora iam pra quadra, ora pra sala de informática, ora pra biblioteca... Literalmente, vendo o tempo passar.

As crianças crescem tão rápido e nós - por necessidade, é claro! - deixamos de aproveitar boa parte do seu desenvolvimento. Enfim...são as maravilhas dos tempos atuais....

Passado algum tempo, foi-lhe oferecido suco e, desta vez, resolveu provar. Não tomou tudo porque, aparentemente, não gostou. No entanto, acho que foi um grande avanço, já que nos outros dias ela não aceitou nem provar!

Na hora do almoço, escondida, a vi passar com o restante dos amiguinhos. Tranquila, papeava com uma das tias e, como sempre, a ouvi perguntar: mamãe?

Pela câmera, pude ver a nutricionista, tia Carol, sentar com ela e acompanhar o seu almoço. Da tela do computador, não dava pra perceber o que, exatamente, estava acontecendo.

Tia Carol desceu para conversar comigo e não poupou elogios à Manu. Disse que comeu super bem (ueba!!!!) e deixou muito pouquinho no prato. Como sobremesa, ofereceram manga - sua fruta preferida - e eu quase morri do coração ao saber que ela foi a última a sair da mesa por ter pedido para repetir a frutinha! Confesso que quase chorei nessa hora!

Depois do almoço, os dentes são escovados, as fraldas trocadas e chega a hora do descanso, essencial para aqueles que ficam no período integral. Como este não é o caso do Manu, sugeriram que eu a trouxesse comigo mais cedo. Eu, que já estava roxa de saudades, aceitei na hora.

Ansiosamente, esperei sua chegada. Ao me ver na janela, ficou muito feliz e animada. Como é recompensador esse momento. É possível enxergar o amor nos seus olhos tão expressivo. É tão bom! Tão tão tão bom!

Antes de sairmos, conversei com as tias e elas parabenizaram muito minha baixinha. Disseram que se apaixonaram pelo jeito carinhoso e simpático dela. Que mesmo pouco à vontade, ela tem sempre um sorriso no rosto e um beijo pra distribuir. Ela fala bastante e consegue dizer suas necessidades, como por exemplo, pedir água. Chama por mim o tempo todo, mas isso é sinal de que em casa ela recebe muito amor e carinho da mamãe babona aqui.

Agora ela dorme grudadinha em mim e eu, assim que postar este texto, vou agarrar minha princesa, cheirá-la até não poder mais e enchê-la de beijos orgulhosos.

Até segunda, quando começa a minha adaptação...


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Adaptação - Dia 4

Penúltimo dia (será?) de adaptação e nada muito diferente com a Manu.

Foi, mais uma vez, espontaneamente para o colo da tia e pouco depois chorou a ausência da mamãe aqui. Nada que uma brincadeira não a fizesse logo mudar de humor.

Quando fui espiá-la, estava sentada num cavalinho. O semblante atento e um tanto tímido, bem diferente da minha Manuela. Natural, né?

De novo, não precisei intervir e ela foi se soltando aos poucos. Mas no final, ao trocarem sua fralda, sentiu minha falta. Desta vez, o choro foi mais forte. Chegou até mim soluçando e me abraçou forte e deliciosamente.

Estava na cara: sono puro!!!!

Ainda assim, mandou muitos beijos e tchaus na hora de se despedir.

Enquanto esperava minha piolha, fiquei de papo com duas mães de meninas de outras idades. Uma levava a filha de 7 meses para a adaptação no período integral, a outra esperava sua princesa de 4 anos sair da natação.

Mães diferentes, com vidas diferentes e sentimentos tão parecidos. Sofremos pelos mesmos motivos e nos solidarizamos umas com as outras. Impressionante como a maternidade nos faz ter mais compaixão em relação às outras e como nos reconhecemos nelas.

Enfim! Gosto muito quando isso acontece. Essa troca de experiências é realmente muito útil.

Está tudo indo às mil maravilhas, mas devo assumir que meu coração começa a apertar. Como será na segunda-feira? É sério que eu terei de deixá-la lá e viras as costas? E a minha adaptação onde entra nisso tudo?

Nesta semana, se ela chora ou sofre, eu estou ali para socorrê-la e enchê-la de beijos. Mas e depois? Eu sei que moro perto e qualquer coisa, em dois minutos estou ali. Mas não estarei vendo, não será imediato...

Amanhã, a adaptação durará quase como um dia normal: será de quatro horas. Dessa vez, ela pegará tanto a colação quanto o almoço. Vamos ver qual será seu comportamento diante de tantas novidades.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Adaptação: Dia 3

Hoje, o período foi de duas horas e incluía a colação. Como comer não é o forte da modelete aqui, bem cedo, dei a mamadeira e dois pãezinhos com requeijão. Eu não sabia como reagiria à hora do suquinho e preferi não arriscar.

Dessa vez, marido foi conosco. Chegamos, e ela logo reconheceu onde estava e eu aproveitei para repetir parte do processo de ontem: fiz com que mandasse beijos de bom dia às tias da recepção e fui logo mostrá-la as crianças, perguntando se gostaria de se juntar a elas. Resposta afirmativa e ela logo foi pro colo da Tia Vânia.

Marido e eu ficamos esperando enquanto ela, no andar de cima, brincava com as crianças. Depois de algum tempo, nos chamaram para espiá-la - a melhor hora!!!

De longe, a vi sentada no colo de uma delas, cheia de brinquedo nas mãos e percebi que soluçava, como se houvesse chorado há pouco.

Me contaram que, assim que subiu, chamou mamãe e, como não me viu. chorou. Mas bastou um pouco de jogo de cintura e umas bonequinhas para logo parar de chorar.

Desci e marido foi trabalhar. Enquanto esperava, comecei a prestar atenção às coisas que aconteciam e algumas, confesso, me chocaram bastante!!!!

Duas crianças chegaram completamente descabeladas, com remela nos olhos e roupas absurdamente amassadas. Pouco depois, voltaram cheirosas, de cabelos molhados e sem remelas - mas as roupas, apesar de serem outras, pareciam ter saído da boca de um leão]!!! Como quem não quer nada, engatei uma conversa com a recepcionista que me contou que algumas mães SEMPRE mandam seus filhos sem banho para lá. É do berço direto pra escola!

Outros pais retornaram com seus filhos à creche depois de um mês de férias. Os pequenininhos, claro!, choravam bastante por terem de se separar das suas famílias. Os pais? Entregavam os filhos aos berros sem um beijinho de despedida! Sem um afago! Sem uma frase de consolo! Isso aconteceu ontem e hoje!

E a pior de todas as histórias: 

Um menino de pouco menos de um ano chorava muito. Ele já está adaptado ao berçário e não costuma chorar. As tias, preocupadas, achavam que ele podia estar com dor e antes de qualquer providência, começaram a buscar pela mãe. Depois de muito ligar, a mãe, enfim, atende o telefone e pede para que enrolem com a criança até, pelo menos, a hora do almoço, quando, só então, ela veria o que poderia ser feito. 

OI?????????????????????????

Morri de dó do pobre do menino que teria de esperar, no mínimo, três horas para ter seu sofrimento resolvido. O pobrezinho recebia mais amor das tias do que da própria mãe. 

Mas nem tudo é desgraça! Foram muitas as mães que deixaram seus filhos com dor no coração. Muitas outras que chegavam fazendo festa com as crias e outras tantas que buscavam por informação. Ainda bem que a maioria era assim!

Nessas duas horas, fui diversas vezes dar uma olhadinha na MINHA cria! No início, ressabiada; com o tempo, estava soltinha soltinha! Pelo vidro, pude vê-la correndo, pulando, gargalhando e dançando muito. Uma coisa linda de se ver.

Na saída, mais uma vez, ela me comoveu. Pude ver muito amor naqueles olhinhos que brilharam ainda mais ao ver que eu estava ali. Um abraço apertado, um beijo e muitos sorrisos, para, em seguida, me mostrar o mural com figuras e dizer: SOL! Mais uma palavra pro vocabulário da minha princesa.

Lá dentro, tocava Trem da Alegria. E ainda deu tempo de ouvir a música e dar uma última dançadinha no meu colo.

Perguntei como foi e, mais uma vez, só recebi elogios. Ela não tomou o suco e chamou a mamãe o-tempo-todo, mas se divertiu à beça,tagarelou muito e interagiu com todo mundo!

Como previa, a adaptação está sendo bem tranquila. Apesar de ter chorado um pouquinho, ela é um doce e sabe do tanto de amor que a cerca.

Pela rua, veio tagarelando, dançando e cantando. Esbanjando alegria. Em casa, tomou suco de tangerina, comeu biscoito e apagou.

Amanhã tem mais!