quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A Creche. A Comida. O Vilão.

Gosto muito da escolinha da Manu. Boas instalações, boas atividades e bons profissionais. Sua tia é maravilhosa: competente e muito carinhosa com os pequenos. Manuela a ama de paixão. E, claro!, eu também! Afinal, quem nunca ouviu aquele ditado: quem a boca do meu filho beija a minha adoça?

Se faz bem a ela, faz bem a mim! Simples assim!

É palpável o quanto ela aprendeu nestes 10 meses de creche. E eu sou imensamente grata por isso. À professora e às auxiliares. Elas são responsáveis diretas por todo esse crescimento.

Ontem, porém, enquanto dava uma fuçada no facebook da instituição, deparei-me com uma foto que, instantaneamente, ligou meu botão de alerta!

Um show de mágica de ninguém menos que Ronald McDonald! Em carne, osso, cabelo vermelho e muita caloria!

Não. Não. Não. E não. Definitivamente, não ornou!

Já lutamos tanto, diariamente, para manter uma alimentação saudável. Já lutamos contra tantos empecilhos (comerciais de tv, personagens nas embalagens, etc etc etc) que insistem em achar que porcaria é comida de criança e até a escola vai jogar contra? 

Pode isso, Arnaldo?

Não sou radical, eu confesso. Na verdade, apesar de lhe oferecer uma alimentação bastante saudável, sou mais permissiva do que deveria gostaria.

Mas me “dou ao trabalho” – ops! Desde quando cuidar de quem amamos é trabalho? - de aprender, de buscar receitas novas, que sejam nutritivas e saborosas. Cuido com tanto carinho das coisas que minha filha come e eu e meu marido nos esforçamos para mudar os nossos hábitos e lhe dar, também, bons exemplos. Estou sempre com o umbigo no fogão para, sem motivo algum, a escola ceder à pressão e, mesmo que nas entrelinhas, estimular o consumo de tanta porcaria?

Assim não dá!

Há poucos meses, na reunião trimestral, a nutricionista da escola bateu fervorosamente na necessidade de cuidarmos de perto do que as crianças ingerem. Obesidade infantil, crianças com colesterol elevado, pressão alta... Tudo isso foi discutido e explicado por ela, nos dando a entender que ali esse assunto era, também, tratado com a devida seriedade.

De alguma forma, levando o personagem às suas instalações, ela está legitimando o consumo daqueles sanduíches, dos refrigerantes e de todas as porcarias que a indústria tenta, a todo custo, nos enfiar goela abaixo. Afinal, todas as informações que permeiam o universo escolar são de extrema relevância na construção de uma criança.

Definitivamente, não curti. E a escola perdeu alguns pontos comigo.

Será que estou tão errada assim? É muita tempestade num copo d’água?

Até quando vamos tratar a alimentação infantil com tanta irresponsabilidade?








sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Festa da Democracia? Ops! Que Festa?

Domingo é dia de eleição e eu dou graças a Deus por minha filha ter apenas dois anos e ainda não compreender todo este circo nonsense.

Há muitos anos, eu era uma pessoa que curtia política. Que acreditava no poder do voto e, principalmente, no poder de transformação do homem. Acreditava que a massa unida era capaz de coisas inimagináveis e tinha certeza de que, um dia, ainda veria um mundo melhor.

Mas isso, infelizmente, ficou lá atrás, junto com a Patricia adolescente e menor de idade. Hoje, devo assumir, tenho uma grande dificuldade em lidar com tudo isso.

Ainda acredito no homem. Não em todos... de repente, em alguns. Ainda acredito no amor como arma de transformação. Acredito na boa vontade. Na solidariedade. No respeito e no bom senso. 

Mas, não. Eu não acredito na política. Naqueles homens e mulheres capazes de tudo para conseguir um voto. Naquelas pessoas que mais parecem lobos em pele de cordeiros. Que sorriem falso, abraçam o trabalhador e a dona de casa, prometendo-lhes o imprometível.

Nojo e medo definem.

Como cidadã, me informo e tento - quase em vão - escolher com sabedoria aqueles que me representarão no poder. No entanto, com os dois pés atrás, me causa um imenso desconforto ter de apertar o tal do CONFIRMA e optar entre o sujo e o mal lavado. É de doer o coração - e o estômago!

Toda essa encenação política vai além da minha compreensão. Toda essa militância carregada de ódio simplesmente não entra na minha cabeça. É ou não é uma democracia? Temos, ou não, o direito de escolher em quem votaremos?

Pra que tudo isso? Pra que tanta ofensa? 

Meu facebook, por exemplo, virou um cenário de guerra. Ainda bem que minha filha não sabe ler! Imagina ter de explicá-la tanta barbaridade? Tanta discórdia em nome de - acreditem! - um bem comum? Perde-se o respeito por motivos tão simples. Esquerda Caviar, Direita Coxinha, Comunistas, Reacionários, Ditadores, Fascistas, Tiranos, Burros, Idiotas, Imbecis... rótulos e xingamentos que parecem não ter fim.

Como explicá-la a imundice na qual a cidade se transforma com o aval daqueles que têm o dever de mantê-la limpa? Como explicá-la que o Choque de Ordem exige a retirada de todos os outdoors das ruas por conta da poluição visual e permite que o rosto de candidatos estejam estampados em todos os muros da cidade, quiçá do país?

Como explicá-la a distribuição de santinhos - que serão jogados NO CHÃO - mesmo sendo proibidos no dia da eleição?

Como explicar bares lotados e tanta gente bêbada? Motoristas cometendo barbaridades no trânsito, dirigindo com ódio?

Como explicar que todas aquelas promessas serão transformadas em fortunas desviadas? Em obras inacabadas? Em escândalos de corrupção? Em políticos ricos e população pobre? Tantas e tantas e tantas perguntas e nenhuma resposta.

Eu juro que não entendo o por quê de tudo isso. Difícil de digerir.

A minha parte mais ativa, acredito, eu faço no dia a dia. Agindo com respeito ao próximo e ao meu país. Tentando ser uma cidadã digna e, principalmente, ensinando minha filha a ser diferente de tudo isso que se vê por aí.

Torço muito para que as gerações futuras sejam diferentes. Que não percam a esperança e o sonho de mudar. Que elas realmente priorizem o amor e o bem, e que a dificuldade de escolher entre dois ou mais candidatos seja pela competência e honestidade de cada um, e não o contrário.

Torço pra que nossos filhos, quando forem às urnas, possam, de fato, festejar a democracia! Porque eu, Pátria Amada, estou quase jogando o chapéu...

Imagem retirada do site
http://comunidadetribunalivre.blogspot.com.br/2014/08/poluicao-visual-eleicao-2014.html

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Medo e a Porca



Manuzita é medrosa. Do tipo cagona mesmo, que se encasqueta com bicho de pelúcia! Animais, em geral, lhe causam aflição e, a todo momento, repete:

- Eu mooorre de medo de cachorro!

Há poucas semanas, fomos à Fazendinha. Família reunida - papai, mamãe, dindinha, prima e avós - para curtir uma manhã rural.

Foi só sair do carro para percebermos qual seria o clima do passeio. Foi só dar de cara com um boi, pra avisar:

- Não quero ir no boi, não! Bem longe! Bem longe!

A partir daí, a criança não queria mais por os pés no chão. De jeito nenhum nenhum nenhum.

Enquanto a prima, onze meses mais nova, corria atrás da galinha, Manuela corria DA galinha.

Não tinha bicho que a agradasse. Podia ser um pintinho fofo, um pato, um coelhinho inofensivo. Não importava - se era bicho, ela queria distância.

Essa é minha filha! E eu não tenho qualquer moral e autoridade pra criticá-la. O medo - principalmente de bichos - está no DNA.

Eis que semana passada, fomos à festinha de uma amiga da escola. O tema não poderia ser melhor: Peppa!

Manu ama a Peppa. Não teve Galinha Pintadinha. Não teve Backyardigans. Minha baixinha se apaixonou perdidamente pela porca.

Brincando, pulando, apontando pros personagens, ela estava completamente integrada à festa. Até que em um momento, no microfone, um cidadão anunciou a chegada da ilustre porquinha. 

Ponto alto da festa!

Crianças no colo, olhando para uma espécie de cabine, esperando ansiosamente a Peppa.

Cá com meus botões, pensei: "isso não tem a menor chance de dar certo! conheço meu eleitorado!".

Mantendo uma distância justa da tal cabine, expliquei que a Peppa estava chegando para brincar e lanchar com os amiguinhos. Que ela era boazinha e amiga das crianças. Pedi para que ela chamasse por ela:

- Peeeeppa, vem loooogo! Veeeem Peeeeeppa!

Manuzita ficando ansiosa, e eu, apreensiva.

As luzes da cabine começaram a piscar. O momento estava chegando. Crianças eufóricas. E o mocinho animador, finalmente, grita:

- Vem, Peppa Pig.

...

...

...

Sério! Manuela se transformou. E eu posso jurar que o que ela viu sair daquela porta não foi nenhuma porquinha tagarela - só pode ter sido o Jack Estripador de mãos dados com o Fred Krueger!

Em pânico, ela agarrava meu pescoço. E o que antes era um "vem, peppa!", se transformou num desesperado "vai embora, Peeeppa! Sai daqui, Peeeeppa! ".

E a péssima mãe aqui acalmava a filha quando a minha gargalhada dava trégua!

Gente! A situação foi tão bizarra, que tivemos de ir embora antes mesmo do parabéns. Manu não podia ver a bicha, mesmo que longe, que ela entrava em parafuso. Achei, inclusive, que tinha acabado o amor.

Que nada!

No dia seguinte, acordou falando sobre a Peppona enoooorme da festa da amiga.

Essa porquinha chata está me rendendo bons e inesquecíveis momentos!



A PORCA!

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

We're Back, Baby!

Ihhhh, gente! Há quanto tempo não passo por aqui para contar as novidades, né?. A correria do dia foi dificultando tudo e este meu cantinho tão amado foi ficando de lado.

Por diversas vezes, abri o blogger, ensaiei algumas palavras e, no meio do caminho, desisti. Afinal, tanta coisa aconteceu desde o carnaval, que eu não sabia nem por onde começar.

Mas escrever é um vício, uma cachaça das brabas – e das boas! Pra quem gosta, ficar longe das letras é difícil pra chuchu.

Então, hoje estou aqui. Tentando recomeçar a conversa, retomando meu amor antigo. Falando sobre a minha maior paixão, que é a maternidade.

Nesses sete meses, Manu deu um trabalhinho duzinfernu com a história do peso. Foi diminuindo, diminuindo até beirar a desnutrição.

Visualizem uma mãe em desespero: pois bem! Era eu!

Quanto menos comia, mais doente ficava. Tinha uma virose lá no Acre, numa tribo indígena, e ela já pegava aqui. Fiquei quase um mês seguido sem dormir direito. Pior que puerpério! A pobrezinha se agarrava no meu pescoço a noite inteira e não deixava eu me mover. Se eu ameaçasse virar para o lado, o chororô começava.

Juro! Achei que ia pifar! Que ia dar bode por aqui! Se não fosse pelo sono, seria pelo cansaço ou pela coluna.

Mas passou! Mudamos de pediatra e fomos tratando tudo com calma e dedicação.

Não tem jeito: ela não é olhuda nem comilona! O mais importante é que tem seguido um padrão na alimentação e a consequência disso foi a volta à curva do peso ideal e uma queda na quantidade de viroses. Todas comemora!

A moçoila está super adaptada à creche e é uma bela de uma tagarela. Fala até dormindo a criança.

Minha fofoqueirinha, quando volta da escola, me passa um relatório de tudo que aconteceu por lá e tem umas tiradas magníficas que me fazem morrer de amor – e de rir!

Agora estamos ensaiando um desfralde. Já usou algumas vezes o penico, apesar de manter uma relação de amor e ódio com ele. Tem dias que quer usar e tem dias que quer distância.
Com o calor chegando, vamos intensificar bastante esse processo.

Ontem, quando chegou da natação, deixei-a só de calcinha para dar seu lanche.

- Filha, vou te deixar sem fralda por um tempo, tá? Você está com uma calcinha de mocinha. Vou deixar seu penico aqui, bem pertinho de nós, se você quiser fazer xixi ou cocô, me avisa? Pode ser?

- Pode, mamãe!

Cinco minutos depois, ela levantou a tampinha do penico, tirou a calcinha e sentou.

- Filha, vai fazer xixi?

- Vai!

A mãe aqui toda orgulhosa e comemorando um desfralde sem qualquer estresse.

HA...HA...HA....

Ledo engano. Eu olhava pro penico e nada! Nadica!

- Filha, vai fazer?

- Vai!

E nada! Conversa vai, conversa vem e nada! Nem uma gota pra contar história.

- Filha, quer sair daí?

- Quero! Vou fechar a tampa do meu penico! Quero sentar na tampa! De calcinha! Pra ver a Peppa ( Ahhh, essa porca! Ela merece um post à parte!).

Levantou sua calcinha e sentou. Como não tinha Peppa, foi brincar de qualquer outra coisa.

Tempos depois, enquanto ela bebia água na cozinha, percebo uma água brotando no chão, formando uma imensa poça.

Manuela, toda faceira, diz:

- Mamãe, olha o xixi da Manu! Avisei pra mamãe! Vivaaa! Parabéns pra Manu!!!
=/


Certeza de que este foi o primeiro de muuuitos xixis no chão. Sem problemas! Com calma e paciência, a gente chega lá!

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E por hoje é isso! Só um esquentar de turbinas!

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