quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Medo e a Porca



Manuzita é medrosa. Do tipo cagona mesmo, que se encasqueta com bicho de pelúcia! Animais, em geral, lhe causam aflição e, a todo momento, repete:

- Eu mooorre de medo de cachorro!

Há poucas semanas, fomos à Fazendinha. Família reunida - papai, mamãe, dindinha, prima e avós - para curtir uma manhã rural.

Foi só sair do carro para percebermos qual seria o clima do passeio. Foi só dar de cara com um boi, pra avisar:

- Não quero ir no boi, não! Bem longe! Bem longe!

A partir daí, a criança não queria mais por os pés no chão. De jeito nenhum nenhum nenhum.

Enquanto a prima, onze meses mais nova, corria atrás da galinha, Manuela corria DA galinha.

Não tinha bicho que a agradasse. Podia ser um pintinho fofo, um pato, um coelhinho inofensivo. Não importava - se era bicho, ela queria distância.

Essa é minha filha! E eu não tenho qualquer moral e autoridade pra criticá-la. O medo - principalmente de bichos - está no DNA.

Eis que semana passada, fomos à festinha de uma amiga da escola. O tema não poderia ser melhor: Peppa!

Manu ama a Peppa. Não teve Galinha Pintadinha. Não teve Backyardigans. Minha baixinha se apaixonou perdidamente pela porca.

Brincando, pulando, apontando pros personagens, ela estava completamente integrada à festa. Até que em um momento, no microfone, um cidadão anunciou a chegada da ilustre porquinha. 

Ponto alto da festa!

Crianças no colo, olhando para uma espécie de cabine, esperando ansiosamente a Peppa.

Cá com meus botões, pensei: "isso não tem a menor chance de dar certo! conheço meu eleitorado!".

Mantendo uma distância justa da tal cabine, expliquei que a Peppa estava chegando para brincar e lanchar com os amiguinhos. Que ela era boazinha e amiga das crianças. Pedi para que ela chamasse por ela:

- Peeeeppa, vem loooogo! Veeeem Peeeeeppa!

Manuzita ficando ansiosa, e eu, apreensiva.

As luzes da cabine começaram a piscar. O momento estava chegando. Crianças eufóricas. E o mocinho animador, finalmente, grita:

- Vem, Peppa Pig.

...

...

...

Sério! Manuela se transformou. E eu posso jurar que o que ela viu sair daquela porta não foi nenhuma porquinha tagarela - só pode ter sido o Jack Estripador de mãos dados com o Fred Krueger!

Em pânico, ela agarrava meu pescoço. E o que antes era um "vem, peppa!", se transformou num desesperado "vai embora, Peeeppa! Sai daqui, Peeeeppa! ".

E a péssima mãe aqui acalmava a filha quando a minha gargalhada dava trégua!

Gente! A situação foi tão bizarra, que tivemos de ir embora antes mesmo do parabéns. Manu não podia ver a bicha, mesmo que longe, que ela entrava em parafuso. Achei, inclusive, que tinha acabado o amor.

Que nada!

No dia seguinte, acordou falando sobre a Peppona enoooorme da festa da amiga.

Essa porquinha chata está me rendendo bons e inesquecíveis momentos!



A PORCA!

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